Atualmente as principais empresas privadas de treinamento estão nos Estados Unidos e no Canadá, também existem movimentação similar no Reino Unido, Austrália, África do Sul e em breve Emirados Árabes Unidos.

Suas frotas vão desde jatos de treinamento como os Dassault/Dornier Alpha Jet a caças supersônicos de alto desempenho como o Northop F-5 Tiger II e o McDonnell Douglas F/A-18 Hornet.

Todas as empresas sem exceção tem em seus quadros pilotos de caça (todos instrutores) ou pilotos de teste oriundos do meio militar. Alguns ex comandantes de importantes unidades militares, e uma boa parcela deles graduados como o Top Gun. Inclusive ex-pilotos de teste da FAB!

As cinco principais mini Forças Aéreas no mundo são:

AIR USA

Um dos dois MiG-29UB pertencentes a Air USA.

Empresa criada em 1994 , com sede na cidade de Quincy, Illinois, Estados Unidos. A partir do ano 2000 passou a ser subcontratada da ATAC, até começar a voar com suas próprias aeronaves no final daquela década. A empresa adquiriu 46 dos 71 F/A-18A/B Hornet da Real Força Aérea da Austrália (RAAF) lembrando que se a Real Força Aérea do Canadá (RCAF) não tivesse comprado os outros 25, ela teria comprado todo o lote. Dos 46, 16 devem ser entregues até o final de 2020, e o restante até o final de 2021.

Atualmente a frota é composta por aeronaves oriundas da Força Aérea da Coreia do Sul, Força Aérea Alemã e de países da Europa Oriental:

11 BAe Systems Hawk Mk.67;

02 Mikoyan MIG-29UB Fulcrum;

01 Aero L-39 Albatross;

04 Aero L-59 Albatross;

12 Dassault-Dornier Alpha Jet A.

ATAC

Duas aeronaves de treinamento de origem tcheca Aero L-39 da ATAC em voo.

Criada em 2000, Airborne Tactical Advantage Company (ATAC), é uma empresa sediada em Newport, Virgínia, Estados Unidos. Faz parte da Textron Airborne Solution. Sua principal missão e treinamento de combate tático, sua frota é composta por 86 aeronaves, muitas oriundas de Israel e da França:

01 Douglas A-4 Skyhawk

06 IAI Kfir C-2/C-7/F-21 (alguns ex-Marinha dos EUA);

14 Hawker Hunter Mk.58;

02 Aero L-39 Albatros;

63 Dassaut Mirage F1 CT/CR/B.

Dois Kfir da ATAC escoltando uma aeronave de Alerta Aéreo Antecipado (AEW) Grumman E-2C Hawkeye, durante uma surtida de treinamento.

Draken International, LLC

Um dos caças de origem francesa Dassault Mirage F1 da Draken International em voo, ostentando um belo esquema de pintura.

A empresa está sediada no Aeroporto Internacional Lakeland Linder em Lakeland, Flórida, Estados Unidos, e também possui uma base operacional na Base Aérea de Nellis em Nevada. É a maior do setor, com uma frota de 122 jatos de combate operacionais e mais 25 adquiridos, o que perfaz 147 aviões de combate, sendo 96 supersônicos. A heterogênea frota é composta por aeronaves oriundas das Forças Aéreas da África do Sul, Nova Zelândia, Espanha e de países do Leste Europeu:

12 Atlas Cheetah C/D;

09 Aermacchi MB339CB;

05 Aero L-39 Albatross;

24 Aero L-159E ALCA;

12 Douglas A-4K/N Skyhawk;

01 Douglas TA-4K (ex-RNZAF);

22 Dassault Mirage F1M/B;

37 Mikoyan MiG-21MF/BIS e MiG-21UM.

A Draken também adquiriu, em fins de 2019, mais 25 Mirage; 11 F1CJ, 1 F-1DJ e 13 F-1EJ ex-Força Aérea Jordaniana (RJAF), que já começaram a ser entregues em abril de 2020, o que deve elevar a frota total para 47 Mirage F-1 se somados aos F-1M.

Aeronaves McDonnell Douglas A-4K, ex-Real Força Aérea da Nova Zelândia, em voo.

Hawker Hunter Aviation (HHA)

Dois Hawker Hunter da HHA. A aeronave da esquerda pertenceu a Embraer e atuou como avião paquera por mitos anos.

Na Europa, a Hawker Hunter Aviation Ltd (HHA), com sede na base da RAF Scampton, Lincolnshire operara com uma frota de 12 aeronaves Hawker Hunter Mk.58 e TMk.68, com grande parte das aeronaves adquiridas da Força Aérea da Suíça. A HHA é a única empresa autorizada no Reino Unido a fornecer serviço de Red Air, reboque de alvos e treinamento.

TAC Air

Um caça Northrop F-5AT da TAC Air em voo.

A Tactical Air Support, ou simplesmente TAC Air, foi criada em 2005 e tem sua sede em Reno, Nevada, Estados Unidos. Ao todo ela possui 37 aeronaves:

21 Northrop F-5 Advanced Tiger (F-5AT);

05 Canadair CF-5D Freedom Fighter;

11 Embraer EMB-312F Tucano;

01 SIAI-Marchetti SF-260TP.

Os A-27 são ex-Força Aérea Francesa. Já os CF-5D foram adquiridos da Real Força Aérea Canadense (RCAF) e seu principal vetor, o F-5E/F vieram da Real Força Aérea Jordaniana (RJAF), de um lote similar ao vendido ao Brasil em 2008.

Essas aeronaves passaram por um processo de modernização na planta da Northrop Grumman em St. Augustine, Texas, Estados Unidos. A modernização deu ao velho F-5E Tiger II novas garras, com a instalação de um sistema HOTAS (Hands On Throttle and Stick), um HUD, novo sistema de RWR, datalink, IRST, novo radar – Duotech Nemesis e o principal: um painel ao estilo Wide Area Display, ou seja, em tela única, integrado ao sistema aviônico Garmin G3000. Redesignado “F-5AT”, os antigos F-5 ganharam também a recente integração ao capacete Thales Scorpion HMD, que, além de projetar dados na viseira do piloto, pode designar alvos. De todas as aeronaves privadas que prestam serviço Aggressor, os F-5AT são as que agregam mais capacidades, tanto que são designadas pela TAC Air como vetores de 4ª geração.

Top Aces

Um dos McDonnell Douglas A-4N Skyhawk II da Top Aces em voo.

A Top Aces, empresa canadense criada em 2000 em Montreal, Canadá, como Discovery Air Defence Services (DADS), por três ex-pilotos da Royal Canadian Air Force (RCAF), é uma das precursoras no fornecimento de treinamento dissimilar e combate privado. Em 2005, a empresa assinou um contrato de US$ 94 milhões com as Forças Armadas do Canadá para fornecer apoio de combate contratado e treinamento de adversários.

Sua frota é composta por 27 aeronaves, oriundas da Força Aérea Alemã e da Força Aérea Israelense:

20 Dassault/Dornier Alpha Jet A;

07 Douglas A-4N Skyhawk.

Recentemente, adquiriu mais 25 Alpha Jet E, Ex-Força Aérea da Bélgica. Outro vetor que deve ser incorporado é o Lockheed Martin F-16AM/BM, provavelmente também da Bélgica, que atualmente está em fase de negociação. Além dos Alpha Jet e dos A-4, a Top Aces opera aeronaves Learjet 35 para treinamento de Guerra Eletrônica (EW).

OUTRAS EMPRESAS E O FUTURO

A empresa francesa PROCON adquiriu nove caças Mirage 2000C/B ex-Força Aérea Brasileira, e pretende colocá-los em operação em breve.

Além das citadas, outras empresas começam a se formar procurando oferecer esse tipo de serviço, não só na forma de contratos de longo curso, mas também em forma de pacotes, buscando atender missões pontuais ou por lote de horas de voo, visando cursos intensivos. Entre elas está a empresa francesa PROCON, que tem sede em Paris, mas terá sua sede operacional nos Emirados Árabes Unidos, que em abril de 2019 adquiriu da Força Aérea Brasileira um Dassault Mirage 2000B e oito Dassault Mirage 2000C que serviram até dezembro de 2013 no 1° Grupo de Defesa Aérea em Anápolis/GO. As aeronaves – que estão fora de operação (voo) foram adquiridas por US$ 452 milhões, após serem ofertadas em fins de 2018.

As aeronaves foram levadas de navio para os Emirados Árabes Unidos e devem ser revisadas e sofrer algum tipo de modernização, em especial a troca do motor, para compor uma unidade de treinamento “Red Air” no Oriente Médio. O objetivo é oferecer treinamento às forças aéreas da região.

IMAGEM DE CAPA: Aeronaves da ATAC em voo posam para uma fotografia em formação: Hawker Hunter, Aero L-39 e IAI Kfir.

FONTES: Revista Força Aérea N⁰125. Artigo de Leandro Casella, via Facebook do Canal Militarizando.