“Kamikaze” ou “Camicase” (do japonês: 神風, kami significando “deus” e kaze, “vento”, comumente traduzido como “vento divino”) foi o nome dado para os pilotos de aviões japoneses carregados de explosivos cuja missão era realizar ataques suicidas contra os navios dos Aliados (principalmente porta-aviões e encouraçados) nos momentos finais da Campanha do Pacífico na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

O nome oficial dos Kamikazes originais era Tokubetsu Kōgekitai (Unidade de Ataque Especial), também conhecidos pela abreviação Tokkōtai ou Tokkō. As unidades da marinha eram chamadas de Shinpu Tokubetsu Kõgekitai (Unidade de Ataque Especial Vento Divino), em alusão a tempestades que salvaram o Japão do ataque mongol em duas ocasiões (1247 e 1281), portanto os pilotos suicidas iriam salvar novamente o Japão de novos mongóis: os estadunidenses. O termo “kamikaze” já era usado pelos norte-americanos.

O Contra-Almirante Masafumi Arima, provavelmente o criador dos Kamikazes, em 1944. Ele possivelmente participou de um ataque Kamikaze contra os norte-americanos durante a Batalha do Golfo de Leyte, apesar de nunca ter havido uma confirmação oficial desse ataque. Postumamente ele foi promovido a Vice-Almirante.
O sorridente Subtenente Kiyoshi Ogawa, um dos kamikazes que colidiram deliberadamente seus aviões com o porta-aviões USS Bunker Hill durante uma missão em 11 de maio de 1945. Ele tinha apenas 22 anos.

Os primeiros ataques ocorreram durante a Batalha do Golfo de Leyte, em outubro de 1944. e seu auge foi durante a Batalha de Okinawa, quando mais de 1.700 aeronaves japonesas atacaram a gigantesca frota aliada. Cerca de 2.525 pilotos japoneses da Força Aérea do Exército Imperial Japonês e da Marinha Imperial morreram nesses ataques, causando a morte de cerca de 7 mil soldados aliados e deixando mais de 4 mil feridos. O número de navios afundados é controverso. A propaganda japonesa da época divulgava que os ataques conseguiram afundar 81 navios e danificar outros 195.

Quando o porta-aviões da Marinha dos EUA USS Bunker Hill (CV-17) foi atingido por dois Kamikazes houve 389 mortos ou oficialmente listados como desaparecidos e 264 feridos. Mesmo assim o porta-aviões não afundou e sobreviveu a guerra.

Durante toda a guerra apenas 11,6% dos 3,3 mil aviões Kamikazes acertaram o alvo (um em cada dez aeronaves), e 27,5% retornaram a base (seja por falta de combustível, por não encontrar o inimigo, pelo mau tempo ou qualquer outro motivo). Os poucos que regressavam eram humilhados pelos oficiais até uma outra ocasião em que voassem novamente.

Navios também foram utilizados para ataques Kamikazes, a maioria torpedeiros e pequenos botes, com pouco sucesso. O monstruoso encouraçado Yamato, danificado após a Batalha de Samar, participou da “Operação Ten-Go”, com o objetivo de destruir o maior número de navios norte-americanos possíveis, dos que estavam participando da Batalha de Okinawa. Ele partiu para essa missão com combustível apenas para a viagem de ida. Ele foi atacado pelas aeronaves norte-americanas e atingido com várias bombas e torpedos, explodiu e afundou sem ter conseguido realizar sua missão Kamikaze.

No total, cerca de 47 navios da Marinha dos EUA (US Navy) foram afundados; de acordo com William Gordon, três deles eram porta-aviões, todos de escolta, pequenos e pouco importantes. De acordo com um relatório da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos depois da guerra, 4.900 marinheiros morreram em decorrência dos ataques, e 4.800 ficaram feridos.

Repŕesentação de uma “Carga Banzai”, quando os japoneses avançavam de forma suicida com espadas e baionetas contra o inimigo.

O Exército Imperial Japonês também realizou vários ataques Kamikazes, mas na forma das chamadas “Cargas Banzai”, onde, no final de uma batalha onde eram praticamente derrotados, os japoneses investiam de forma suicida contra os Aliados, muitos empunhando apenas baionetas ou espadas, como os antigos samurais, com o objetivo de matar o maior número de inimigos possíveis. Muitos desses ataques foram repelidos, com a morte de todos os atacantes.

Decolagem de aeronaves Kamikazes saudados por meninas japonesas portando galhos de cerejeiras, para desejar sorte.
Dramática imagem de um Yokosuka D4Y3 “Judy”, pilotado pelo Tenente Yoshinori Yamaguchi em um ataque Kamikaze contra o USS Essex em 25 de novembro de 1944. O ataque certeiro deixou 15 mortos e 44 feridos. Os freios de mergulho são estendidos e o tanque de asa de bombordo não autovedante deixa escapar vapor de combustível e/ou fumaça.
O destróier USS Columbia (CL-56), da Marinha dos EUA, é atacado por um Mitsubishi Ki-51 Kamikaze no Golfo de Lingayen, no dia 6 de janeiro de 1945.
A aeronave Kamikaze atinge em cheio o Columbia às 17h29min. A aeronave e sua bomba penetraram dois conveses antes de explodir, matando 13 e ferindo 44.
A pesada e fenomenal defesa antiaérea dos navios da Marinha dos EUA contra um ataque Kamikaze, tentando impedi-lo de atingir o seu alvo. Em Okinawa os norte-americanos incrememtaram as defesas antiaéreas dos navios da frota de invasão com muitos canhões de 20 e 40 mm, além de destacar navios para efetuarem missões de piquete radar para avisar o restante da frota das aeronaves Kamikazes. Ironicamente, esses navios de piquete radar também se tornaram alvos prioritários dos ataques.

NOTA DO CANAL MILITARIZANDO: A brutalidade e o fanatismo dos ataques Kamikazes chocaram os militares norte-americanos, que previram uma verdadeira carnificina a planejada invasão do Japão (“Operação Downfall”), que seria executada no outono de 1945. Era previsto, somente nos ataques iniciais, mais de 250 mil baixas, sendo que até chegarem em Tóquio, os Aliados poderiam ter até um milhão de baixas. Tais números assustaram os norte-americanos e foi uma das justificativas de se lançar os dois ataques nucleares contra o Japão em agosto de 1945.

IMAGEM DE CAPA: Famosa fotografia que retrata uma aeronave Kamikaze erra o convés do encouraçado USS Missouri (BB-63) da Marinha dos EUA (US Navy) e atinge o mar, durante a Batalha de Okinawa.

FONTES: Wikipédia (Adaptado), Getty Images e o Facebook do Canal Militarizando.