No dia 22 de maio de 1942 o México declarou guerra ao Eixo, devido ao afundamento de dois petroleiros mexicanos por submarinos da Kriegsmarine (Marinha de Guerra) alemã. O México, assim como o Brasil, foram os dois únicos países latino-americanos que enviaram tropas para lutar no exterior durante a Segunda Guerra Mundial.

Diferentemente do Brasil, que enviou para a Itália soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB), além de dois esquadrões da Força Aérea Brasileira (FAB) e participou também do patrulhamento do Atlântico Sul com a Marinha do Brasil (EB), o México optou por apenas formar um esquadrão da Força Aérea Mexicana (FAM), a “Força Aérea Expedicionária do México” (FAEM) com o objetivo de ser enviada para o combate no exterior.

Pilotos mexicanos do Esquadrão 201 posam em frente aos P-47 da unidade logo após a entrega das aeronaves nas Filipinas.

Formado em 22 de julho de 1944, o Esquadrão de Caça 201 (“Escuadrón Aereo de Pelea 201”) foi enviado para os Estados Unidos para treinamento, onde foram preparados para operar o Republic P-47D Thunderbolt, a mesma aeronave que o 1° Grupo de Aviação de Caça (1° GAvCa) da FAB operou na Itália. O esquadrão foi declarado pronto para o combate em fevereiro de 1945 e iriam operar 25 aeronaves do modelo P-47D-30-RA.

Um P-47 do Esquadrão 201 sobrevoando a ilha de Luzon nas Filipinas, equipado com bombas para uma missão de ataque ao solo. Assim como os P-47 na FAB na Campanha da Itália, a maior parte das missões dos P-47 mexicanos era de ataque ao solo usando bombas ou suas metralhadoras de 12,7 mm (calibre.50).

Como a guerra na Europa já estava no final, foi decidido que os mexicanos iriam ser enviados para as Filipinas, país que tem o espanhol entre seus idiomas, além do clima ser bastante semelhante ao do México. Os mexicanos chegaram em Manila em 30 de abril de 1945 e foram designados para fazer parte do 58th Fighter Group, que operava em Clark Field, com os Aliados ainda engajados na libertação total das Filipinas dos japoneses, que ainda ocupavam muitas áreas nas ilhas. No final da guerra, aeronaves mexicanas também atacaram alvos japoneses na Ilha Formosa (atual Taiwan).

As aeronaves do esquadrão usavam as marcas da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) na fuselagem e nas asas e as marcas da Força Aérea Mexicana (FAM) nas asas e na cauda. O esquadrão efetuou cerca de 96 missões de combate, no total de 785 surtidas ofensivas e seis defensivas, voando 1.966:15 horas totais em combate.

Pilotos do Esquadrão 201 posam para uma fotografia em Clark Field, Filipinas.
O mascote do Esquadrão 201, o “Panchito”, personagem criado por Walt Disney (assim como o nosso “Zé Carioca”) pintado na cauda de uma aeronave japonesa abatida. Ao lado da imagem dois membros da equipe de manutenção do esquadrão e um intérprete filipino.

O esquadrão teve três pilotos perdidos em combate (um voando e dois em terra combatendo japoneses que atacaram a base) e mais três perdidos em acidentes, tanto nos Estados Unidos quanto nas Filipinas. O esquadrão fez sua última surtida de combate em 26 de agosto de 1945 e retornou ao México em 18 de novembro de 1945, com a FAEM sendo dissolvida no final de 1945.

O Esquadrão de Caça 201 ainda continua ativo na FAM, atualmente voando aeronaves turboélice de origem suíça Pilatus PC-7 e atuando em missões de contrainsurgência (COIN), tendo combatido mais recentemente em 1994 durante a rebelião no estado mexicano de Chiapas.

Um Pilatus PC-7 da Força Aérea Mexicana, do mesmo modelo que equipa o Esquadrão 201 atualmente.

IMAGEM DE CAPA: Um Republic P-47D-30-RA Thunderbolt do Esquadrão 201 da FAM; ele também possuía as insígnias da USAAF para não ser confundido com aeronaves inimigas pelos caças e a artilharia antiaérea aliada.

FONTES: Wikipédia e Facebook do Canal Militarizando.