O “INVENCÍVEL” M1 ABRAMS NÃO É TÃO INVENCÍVEL ASSIM…

Nos últimos dias, vem se especulando que na Guerra da Ucrânia haverá uma batalha entre o carro de combate norte-americano M1 Abrams contra seus pares russos T-72, T-80, T-90 e principalmente contra o novo T-14 Armata, e muitos entusiastas e especialistas sobre Defesa estão aguardando ansiosamente esse combate, pois o carro de combate de origem norte-americana nunca foi derrotado em combate e se mantém “invencível”, segundo alguns analistas de Defesa, mas será que realmente o M1 Abrams é um carro de combate “invencível”, como se pensa?

BREVE HISTÓRIA

Desenvolvido em meados da década de 1970 e entrando em serviço no ano de 1980, o poderoso (e pesado, com mais de 73 toneladas em sua versão mais atual) carro de combate M1 Abrams, batizado em homenagem ao General Creighton Abrams (1914-1974), o segundo e último comandante das tropas norte-americanas durante a Guerra do Vietnã (que também era um oficial de cavalaria e na Segunda Guerra Mundial serviu com o lendário General George S. Patton II), é tido por muitos como invencível no campo de batalha, colecionando diversas vitórias em combates nas guerras em que os Estados Unidos e seus usuários (o M1 Abrams já foi exportado para nove países – futuramente também a Ucrânia – e usado em combate pelos EUA, Arábia Saudita, Iraque e possivelmente na Ucrânia) se envolvem, principalmente a Guerra do Golfo de 1991 e a (Primeira) Guerra do Iraque entre 2003 e 2011. Na realidade, ele não é tão invencível assim.

NA GUERRA DO GOLFO DE 1991

Durante o seu batismo de fogo, que foi a Guerra do Golfo de 1991, as forças norte-americanas perderam nove desses carros de combate; sete por ação de “fogo amigo” (no deserto, na época, era difícil distinguir amigo de inimigo, e incidentes de fogo amigo foram comuns em 1991) e dois, que sofreram problemas mecânicos, foram destruídos intencionalmente para não serem capturados por forças iraquianas. Os EUA sofreram também 14 Abrams danificados, com um total de 23 perdas.

NA GUERRA DO IRAQUE

Já na Guerra do Iraque, a partir de 2003, teve um total de nove Abrams fora de combate por terem sido atingidos por munições de foguete tipo RPG, e durante a ocupação, até 2005 perdendo mais 80 por motivos diversos, muitos deles tendo sido recuperados nos Estados Unidos.

Um M1A1 Abrams cruzando o Rio Eufrates em uma ponte flutuante de ataque de fita implantada pela 299ª Companhia de Engenharia em 2003, durante a Invasão do Iraque. (FONTE: Internet)

EM SERVIÇO NO EXÉRCITO IRAQUIANO

Entre 2010 e 2012, os Estados Unidos forneceram 140 tanques M1A1 Abrams reformados ao novo governo do Iraque. Em meados de 2014, os Abrams iraquianos viram ação na luta contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) após a ofensiva do norte do Iraque em junho. Durante três meses, cerca de um terço dos tanques M1 do exército iraquiano foram danificados ou destruídos pelo ISIS e alguns foram capturados por forças inimigas. Até dezembro de 2014, o exército iraquiano tinha apenas cerca de 40 Abrams operacionais restantes. Naquele mês, o Departamento de Estado dos Estados Unidos aprovou a venda de mais 175 Abrams para o Iraque.

Foi reportado que a milícia iraquiana Kata’ib Hezbollah, apoiada pelo Irã, operava alguns o M1 Abrams e divulgaram publicidade mostrando os tanques sendo transportados por caminhões para participar do Batalha de Mossul. Não se sabe se esses tanques foram capturados do Estado Islâmico, apreendidos do exército iraquiano ou entregues a eles por elementos corruptos das forças armadas.

Vídeo gravado pelo Estado Islâmico mostrando um míssil guiado antitanque (ATGM) de fabricação russa, disparado pelo ISIS, explodindo um tanque M1 Abrams do Exército Iraquiano, em meados de 2014. (FONTE: Daily Mail UK)

COM OS SAUDITAS NA GUERRA CIVIL NO IÊMEN

Após o começo da intervenção militar saudita no Iêmen durante a Guerra Civil Iemenita de 2015, a Arábia Saudita deslocou seus tanques M1A2 para sua fronteira sul. Em agosto de 2016, os Estados Unidos aprovaram um acordo para vender até mais 153 tanques Abrams para a Arábia Saudita, incluindo vinte que iriam substituir veículos que tinham sido danificados em batalha, sugerindo que alguns Abrams sauditas tinham de fato sido destruídos ou severamente danificados em combate no Iêmen nos últimos anos.

Um M1A2 Abrams saudita destruído no Iêmen, em 2019. (FONTE: Reddit)

CONCLUSÕES

As lições aprendidas com essas perdas fizeram o Exército dos EUA (US Army) a investir na atualização e na modernização dos modelos existentes do carro de combate (já que um M1 Abrams novo não sai da fábrica desde 1996) e alguns pacotes de atualizações, como o Sistema TUSK (“Tank Urban Survival Kit”, ou “Kit Para a Sobrevivência Urbana”, em tradução livre), novas blindagens (como uma avançada blindagem reativa, por exemplo), dentre outros avanços, continuam mantendo o M1 Abrams como um dos mais letais carros de combate da História, sem uma real possibilidade de substituição pelo Exército dos EUA, pelo menos nos próximos dez anos.

O sistema TUSK instalado em um M1A2 Abrams do Exército dos EUA. (FONTE: Internet)

APÊNDICE: SITUAÇÃO ATUAL DOS M1 ABRAMS NA GUERRA DA UCRÂNIA

Em 24 de janeiro de 2023, Joe Biden, o presidente dos Estados Unidos, afirmou que ele liberou o envio de cerca de 31 blindados M1 Abrams para a Ucrânia para deter a invasão russa. O presidente Biden disse que o envio de tanques visava “aumentar a capacidade ucraniana de defender seu território e atingir seus objetivos estratégicos” e não era uma ameaça ofensiva à Rússia.

Em 25 de janeiro, o presidente Biden formalmente aprovou a transferência dos Abrams para o exército ucraniano como parte de um grande pacote de ajuda militar.[58] A porta-voz do Pentágono, Sabrina Singh, especificou que os tanques seriam a variante M1A2 e, como não estavam disponíveis em excesso nos estoques dos Estados Unidos, seriam comprados por meio da Iniciativa de Assistência à Segurança da Ucrânia (USAI).

Essa provavelmente será a camuflagem que os futuros M1A2 Abrams ucranianos usarão na guerra contra a Rússia. (FONTE: Getty Images)

IMAGEM DE CAPA: Um M1A1 Abrams destruído por “fogo amigo” durante a Guerra do Golfo de 1991, atingido na seção traseira por um míssil Hellfire lançado por um AH-64 Apache. (Fonte: Wikipédia)

Vídeo do YouTube do Canal Militarizando sobre o assunto tratado no artigo.

FONTES: Wikipédia, CNN e Instagram do Canal Militarizando.

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