O Douglas A-1 Skyraider foi uma aeronave de ataque de longa distância, baseado em porta-aviões, monomotor a pistão, projetado nos estágios finais da Segunda Guerra Mundial, com a intenção de ser usado na planejada invasão do Japão (Operação Downfall), em fins de 1945. Como a guerra acabou antes, por causa dos ataques nucleares em Hiroshima e Nagasaki, a robusta aeronave não foi utilizada nesse conflito. Suas primeiras unidades foram entregues para a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) em dezembro de 1946.

O projeto do Skyraider, um monoplano de asa baixa e de grande porte (apelidado de “Spad” pelo seus pilotos), começou com um motor radial Wright R-3350 Duplex-Cyclone que mais tarde foi atualizado várias vezes. Sua característica distintiva eram grandes asas retas com sete pontos duros cada. O Skyraider possuía excelente capacidade de manobra em baixa velocidade e carregava uma grande quantidade de munições em um raio de combate considerável. Além disso, ele foi dotado de uma grande autonomia de voo para seu tamanho, em comparação com jatos subsônicos ou supersônicos muito mais pesados. A aeronave foi otimizada para a missão de ataque ao solo e foi blindada contra fogo terrestre em locais-chave, ao contrário de caças mais rápidos adaptados para transportar bombas, como o Vought F4U Corsair ou North American P-51 Mustang, que foram aposentados pelas forças dos EUA em meados da década de 1950.

O A-1 Skyrider era um verdadeiro “caminhão de bombas”. Esse A-1H da USN preservado no USS Midway demonstra isso.

Usado pela US Navy sobre a Coreia e o Vietnã, o A-1 foi a principal aeronave de apoio aéreo aproximado da Força Aérea dos EUA (USAF) e da Força Aérea da República do Vietnã do Sul (RVNAF) durante a Guerra do Vietnã. O A-1 era famoso por ser capaz de receber impactos e continuar voando graças à blindagem ao redor da área da cabine para proteção do piloto. Foi substituído no início da década de 1960 pelo Grumman A-6 Intruder como o principal avião de ataque médio da Marinha em aeronaves baseadas nos super porta-aviões da Classe Forrestal e posteriores; no entanto, os Skyraiders continuaram a operar nos porta-aviões menores da classe Essex, da época da Segunda Guerra Mundial.

Durante a guerra, os Skyraiders da Marinha dos EUA, que foram as primeiras aeronaves norte-americanas a entrarem em ação no conflito em 1964 (como resposta ao incidente do Golfo de Tonkin), abateram dois caças a reação Mikoyan-Gurevich MiG-17 da Força Aérea do Vietnã do Norte (VPAF): um em 20 de junho de 1965, pelo tenente Clinton B. Johnson e o tenente Charles W. Hartman III, pilotando um A-1E do Esquadrão VA-25; e outro em 9 de outubro de 1966 pelo Tenente (Junior Grade) William T. Patton, pilotando um A-1H do Esquadrão VA-176. Usando seus canhões de 20 mm e táticas de combate da era da II Guerra, esses foram os primeiros abates na Guerra do Vietnã.

Um A-1H da Força Aérea dos Estados Unidos sobrevoando algum lugar do Vietnã durante a guerra.

À medida que os A-1 estavam sendo retirados de serviço na US Navy, os Skyraiders foram incorporados pela USAF e pela RVNAF. Skyraiders também foram usados ​​pelo Comando de Operações Especiais da Força Aérea para cobertura aérea de busca e resgate. Eles também foram usados ​​pela USAF para desempenhar um dos papéis mais famosos do Skyraider: as primeiras missões de resgate em combate (C-SAR) usando aviões e helicópteros (“Sandy”).

Arte retratando uma missão C-SAR (“Sandy”) durante a Guerra do Vietnã. O helicóptero geralmente empregado era o Sikorsky HH-3E Jolly Green Giant.

Em 10 de março de 1966, o Major Bernard F. Fisher da USAF voou em uma missão com seu A-1E e foi condecorado com a Medalha de Honra por resgatar o Major Dafford Wayne “Jump” Myers no Campo de Pouso das Forças Especiais no Vale de A Shau sob pesado fogo inimigo. O Coronel da USAF William A. Jones III, pilotando um A-1H numa missão em 1° de setembro de 1968, apesar dos danos à sua aeronave e de graves queimaduras, ele conseguiu retornar a sua base e relatou a posição de um aviador norte-americano abatido, pelo qual também foi condecorado com a Medalha de Honra.

Depois de novembro de 1972, todos os A-1 em serviço nos EUA no sudeste da Ásia foram transferidos para o RVNAF, onde muitos foram usados até a Queda de Saigon, em 1975, mesmo os sul-vietnamitas tendo recebido aeronaves mais modernas como o Northrop F-5 e o Cessna A-37B Dragonfly. A USAF perdeu 201 Skyraiders no Sudeste Asiático, enquanto a Marinha perdeu 65 aeronaves no total. Dos 266 A-1 perdidos, cinco foram abatidos por mísseis superfície-ar (SAM) e três foram abatidos em combate ar-ar; dois pelos MiG-17 da VPAF.

Um A-1E carrega uma poderosa bomba termobárica BLU-72/B na asa direita e um tanque de combustível na outra asa. Vietnã, 1968.

O Skyraider no Vietnã foi o pioneiro no conceito de aeronaves fortemente blindadas, com grande autonomia de voo e grandes cargas de munição. Tal conceito foi reproduzido em aeronaves como o Fairchild/Republic A-10 Thunderbolt II e mais recentemente no nosso Embraer A-29 Super Tucano, que inclusive também é utilizado pela própria Força Aérea dos Estados Unidos.

IMAGEM DE CAPA: Representação do abate de um MiG-17 da VPAF pelo Tenente (Junior Grade) William T. Patton, pilotando um A-1H do Esquadrão VA-176 da US Navy, no dia 09 de outubro de 1966.

TEXTO: Canal Militarizando e Wikipédia.

APOIEM NOSSO CANAL!!! PIX: falecom@canalmilitarizando.com