No início da Guerra das Malvinas/Falklands, em abril de 1982, as forças terrestres, navais e aéreas argentinas passaram a se organizar visado a provável reação inglesa. Na parte aérea, enquanto a Força Aérea Argentina (FAA) criou a “Força Aérea Sul”, a Marinha Argentina criou a “FT 80”.

A Força-Tarefa Aérea Naval ou Força-Tarefa 80 (“Fuerza de Tareas 80” – FT 80) foi uma força-tarefa da Marinha Argentina (Armada Argentina) constituída pelo seu Comando de Aviação Naval (COAN) para suas operações na provável guerra contra a Inglaterra.

Após a bem sucedida “Operação Rosário”, o Governo do Reino Unido deu início a “Operação Corporate”, cujo objetivo era invadir e reassumir o controle das ilhas, expulsando os argentinos. Em seguida, a Junta Militar ordenou a preparação de todas as forças argentinas e o Comando de Aviação Naval (COAN) criou a Força-Tarefa Anfíbia e a Força-Tarefa 80 (FT 80) para integrá-la ao Teatro de Operações do Atlântico Sul (TOAS).

A principal missão da FT 80 era eliminar o inimigo em uma oportunidade favorável, usando todos os meios disponíveis para isso, e apoiar suas próprias necessidades de apoio logístico a fim de contribuir para a consolidação das ocupação das Ilhas Malvinas, impedir a sua recuperação pelo inimigo e apoiar as ações do Governo Militar das Malvinas, das ilhas Geórgia do Sul e das ilhas Sandwich do Sul, também ocupadas pelos argentinos.

A Força-Tarefa 80 elaborou seu Plano de Operações, pelo qual definiu sua organização, situação, forças inimigas, forças amigas, unidades adicionadas, missão, instruções de execução e coordenação, além de otimizar todos os meios possíveis para a guerra.

Organização da Força-Tarefa 80:

Comandante: Contra-Almirante Carlos García Boll;
Subcomandante: Capitão Raúl Rivero;
Chefe do Estado Maior: Capitão Carmelo I. Astesiano;
Chefe de Operações: Capitão Juan M. Saralegui;
Chefe de Logística: Comandante Julio Tourne;
Chefe do Estado Maior: Comandante Alberto Olcese;
Chefe de Inteligência: Comandante Juan Imperiale;
Comandante do Grupo de Trabalho 80.1: Capitão Héctor Martini;
Comandante do Grupo de Trabalho 80.2: Capitão de Fragata Luis Vázquez;
Comandante do Grupo de Trabalho 80.3: Comandante Jorge Czar;
Comandante do Grupo de Trabalho 80.4: Capitão Jorge Vildoza.

Aeronaves à disposição da Força-Tarefa 80

Um Dassault Super Étendard do COAN armado com um míssil antinavio Exocet (Foto: GBN Defense)

O equipamento da Força-Tarefa Aérea Naval na campanha das Malvinas em 1982 era um total de cerca de 60 aeronaves, todas elas pertencentes ao COAN:

  • Aermacchi MB-326 (caça leve e ataque, ficaram na reserva durante o conflito);
  • Aermacchi MB-339 (caça leve e ataque, alguns operaram na BAM Malvinas, em Puerto Argentino);
  • Beechcraft King Air B-200 (transporte e ligação, operaram exclusivamente no continente);
  • Beechcraft Queen Air B-80 (transporte e ligação, operaram exclusivamente no continente);
  • Beechcraft T-34C-1 Turbo Mentor (usados para patrulhamento da costa da Argentina, com alguns sendo enviados para as Malvinas);
  • Dassault Super Étendard (aeronave de ataque de alta performance, capaz de ser reabastecido em voo e levar o poderoso míssil antinavio AM39 Exocet);
  • Douglas A-4Q Skyhawk (aeronave de ataque capaz de reabastecimento em voo, poderia alcançar as ilhas partindo do continente);
  • Embraer EMB 111 Bandeirulha (aeronaves de patrulha baseadas em terra, emprestados pelo Brasil, voou na parte final da guerra);
  • Grumman S-2A/E Tracker (aeronaves embarcadas de patrulha, operou de terra e sofreu com a falta de peças de reposição ao final do conflito);
  • Fokker F28 MK.3000 Fellowship (usados para transporte de suprimentos e ligação entre o continente e as ilhas);
  • Lockheed L-188PF Electra (antigas aeronaves comerciais adaptadas para missões de patrulha);
  • Lockheed SP-2H Netuno (veteranas aeronaves de patrulha e de luta antissubmarina, foram paralisadas por falta de suprimentos e fadiga de material e substituídas pelos EMB 111 no estágios finais da guerra);
  • Sikorsky S-61D-4 Sea King (helicópteros para a luta antissubmarina, podiam também realizar missões de transporte e resgate);
  • Sud-Aviation SA316 Alouette III (helicóptero de emprego geral, alguns operaram nas Malvinas e nas ilhas Geórgia do Sul).
Um Douglas A-4Q Skyhawk do COAN operando no porta-aviões “ARA Veinticinco de Mayo” (Reprodução Internet)

Bases da Força-Tarefa 80

O porta-aviões “ARA Veinticinco de Mayo” (V-2). (Foto: stringfixer.com)
  • Navio aeródromo (porta-aviões) “ARA Veinticinco de Mayo” (V-2): Poderia operar os Super Étendard, A-4 Skyhawk e os S-2 Tracker, mas não foi usado operacionalmente durante a guerra.

As bases terrestres da Força-Tarefa 80, de norte a sul, eram as seguintes:

  • Base Aérea Naval de Ezeiza;
  • Base Aérea Naval Punta Indio;
  • Base Aérea Naval Comandante Espora;
  • Base Aérea Naval Almirante Zar;
  • Aeroporto de Viedma;
  • Estação Aérea Naval de Rio Gallegos;
  • Base Aérea Naval Río Grande-Almirante Quijada;
  • Base Aérea Naval Ushuaia;
  • Estação Aérea Naval das Malvinas (BAM Malvinas);
  • Estação Aérea Naval Calderón;
Vista aérea da Base Aerea Naval Almirante Zar, em Trelew. (Foto: Google)

Coordenação com a Força Aérea Argentina

O Comando da Aviação Naval Argentina (COAN) e o Comando de Operações Aéreas (COA) da Força Aérea Argentina se uniram para a formação de grupos de assessoramento para o desenvolvimento de ataques conjuntos. Os militares aeronáuticos e navais argentinos satisfizeram reciprocamente os requisitos produzidos mesmo com a falta de equipamentos e treinamento adequados para a guerra aeronaval que ocorreria.

Nesse sentido, o COAN nomeou uma equipe de assessores e oficiais de ligação para integrar o Estado-Maior da Força Aérea Sul para realizarem operações militares conjuntas. A coordenação foi vital durante a guerra, pois as missões de longo alcance dos Super Étendard e A-4Q Skyhawk só foram possíveis por causa da ação das aeronaves reabastecedoras Lockheed KC-130H Hercules da FAA e também das equipes de radares e artilharia antiaérea nas ilhas.

Missões da Força-Tarefa 80

O HMS Sheffild mortalmente ferido por um míssil antinavio Exocet lançado por um Dassalt Super Étendard do COAN (Foto: GBN Defense)
O MV Atlantic Conveyor pegando fogo após ser atingido por um Exocet, logo afundaria, levando para o fundo do mar valiosos suprimentos para os ingleses. (Fonte: “Sistemas de Armas”)
Arte retratando o encontro das aeronaves que supostamente atacaram o HMS Invincible, no dia 30 de maio de 1982. Em primeiro plano o Dassault Super Étendard 3-A-202, que segundo fontes argentinas foi o responsável por lançar o míssil em direção ao porta-aviões inglês, danificando-o. (Foto: GBN Defense)

Dentre as várias missões que a FT 80 realizou durante a guerra, podemos citar:

  • O ataque ao HMS Sheffield (4 de maio de 1982);
  • O ataque ao HMS Ardent (22 de maio de 1982);
  • O ataque ao MV Atlantic Conveyor (25 de maio de 1982);
  • O ataque ao HMS Invincible¹ (30 de maio de 1982).

Muitas surtidas das aeronaves de ataque aeronavais argentinas vindas do continente, tanto da FAA quanto da FT 80, foram canceladas ou prejudicadas devido ao mau tempo. Mesmo assim o COAN conseguiu realizar 12 surtidas com os A-4Q (mesmo com os assentos ejetáveis vencidos devido ao embargo norte-americano decretado em 1977 e falta de outros suprimentos) e cerca de seis surtidas com os Super Étendard (apenas quatro dessas aeronaves estavam operacionais durante o conflito).

Perdas

O COAN perdeu na guerra um total de 12 aeronaves: três A-4Q abatidos pelos Sea Harrier ingleses e um MB 339 derrubado por um míssil terra-ar portátil Blowpipe, além de ter tido quatro T-34C-1 destruídos em solo no ataque a Ilha Pebble e um MB 339 perdido em um acidente. Além disso três MB-339 foram capturados pelos ingleses após a guerra. Um total de quatro aviadores navais morreram e um conseguiu ejetar com sucesso e ser resgatado.

Legado

Medalha ao Valor em Combate, uma das maiores condecorações da Argentina, concedida aos veteranos e instituições que participaram da Guerra das Malvinas. (Reprodução internet)

Após a guerra o Comando da Aviação Naval foi condecorado com a condecoração “Honra ao Valor em Combate” “em reconhecimento aos feitos heroicos e ações de mérito extraordinário realizados em operações durante a campanha das Malvinas”.

Todo dia 4 de maio, a Marinha Argentina celebra o Dia da Aviação Naval, comemorando a operação com a qual conseguiu afundar o HMS Sheffield.

NOTA:

¹ Esse ataque, que supostamente um míssil Exocet lançado por um Super Étendard do COAN, não é confirmado pelos ingleses, apesar de muitos pilotos argentinos confirmarem e jurarem até mesmo terem participado do ataque.

FOTO DE CAPA: Arte retratando o momento do disparo do missil antinavio Exocet contra o HMS Sheffield, no dia 4 de maio de 1982. (Fonte: “Sistemas de Armas”).

FONTES: Com informações da Wikipédia, sites “GBN Defense” e “Sistemas de Armas” e o Facebook do Canal Militarizando.

VEJA MAIS: Vídeo no Canal Militarizando no YouTube sobre a FT-80 você pode acessar aqui.