Em um artigo anterior comentamos sobre a importância da Logística para as FFAA (Forças Armadas) de qualquer país.

Uma das principais missões da Logística é prover os recursos para a Manutenção, que mantém as complexas máquinas de guerra em funcionamento – um blindado com o tanque de combustível e o depósito de munições cheios, mas com a transmissão quebrada, não vai conseguir combater.

Este foi um dos muitos problemas enfrentados pelo Wehrmacht (Exército Nazista) na Segunda Guerra Mundial – seus poderosos blindados Panzer e Tiger eram um pesadelo em termos de Manutenção, e segundo alguns historiadores, os defeitos mecânicos custaram tanto ou mais veículos do que as ações da URSS.

Tiger I abandonado devido a problemas com suas esteiras. Não é nada fácil arrastar um monstro de aço de 57 toneladas!

Como a História se repete, podemos observar, na invasão russa à Ucrânia, que a Manutenção russa aparentemente não está à altura da tarefa, mostrando que mesmo sistemas de armas bem projetados e robustos, se não forem operados adequadamente, terão problemas no campo de batalha.

Algumas fotos de veículos capturados praticamente intactos provam isso.

TELAR (transportador, eretor, lançador e radar) do SAM (sistema de mísseis superfície-ar) Pantsir abandonado na Ucrânia

Neste exemplo, observe-se o vazamento de graxa nos centros da rodas. Isto provavelmente indica que o veículo ficou muito tempo parado antes do deslocamento, algo como 1 ou 2 anos. Se foi realmente isso que aconteceu, a Manutenção russa foi deficitária, pois manter os veículos em boas condições de funcionamento é crucial para quaisquer FFAA.

A consequência é que um veículo aparentemente novo foi capturado sem maiores dificuldades pelos ucranianos.

TLAR (transportador, lançador e radar) do SAM Tor (SA-15 Gauntlet) abandonado na Ucrânia

Nesta outra foto, pode-se observar que a transmissão está danificada (mas não por fogo inimigo) e que há um grande vazamento de óleo no sistema de exaustão, indicando que o motor teve problemas.

Imagens como estas são muito comuns, e parecem indicar problemas estruturais na Manutenção russa.

Este artigo não é uma crítica às FFAA russas, nem a seus equipamentos. É um chamado a que as FFAA brasileiras ‘abram os olhos’: se um país com tamanha tradição na produção e operação de sistemas militares avançados apresenta problemas nos seus equipamentos, o Brasil certamente não está isento de ter os mesmos problemas, caso não siga os devidos cuidados.

Questionamentos finais:

  • As falhas se devem exclusivamente a problemas de manutenção, ou tais problemas são causados / ampliados por questões de Logística e/ou treinamento?
  • Até que ponto estas falhas são estruturais das FFAA russas, ou apenas problemas pontuais de certos esquadrões?
  • Como está a situação do Brasil neste ponto? Fazemos exercícios de deslocamentos longos com a frequência necessária para manter a proficiência operacional?

Abre o olho, Brasil!

IMAGEM DE CAPA: Soldados holandeses consertam as esteiras de um blindado CV90 durante exercícios.