Il-20M (Papas Dos, CC BY 2.0)

Em 17/09/2018, aeronaves F-16I israelenses atacaram alvos na região noroeste da Síria, mais especificamente ao redor da cidade portuária de Latakia, uma região que Israel não tinha atacado antes, mas a chegada de armas iranianas modernas, que a inteligência israelense indicava que iriam parar nas mãos do Hizballah (também escrito Hezbollah), originou o ataque.

Israel utilizou 4 aeronaves F-16I armadas com bombas GBU-39 SDB; embora o relatório oficial não tenha sido divulgado, cada F-16I geralmente carrega 8 destas pequenas bombas. Como as SDB tem um alcance superior aos 50 km (estimado em até 100 km, dependendo da velocidade e altitude do lançamento), Israel pôde atacar a partir de uma distância relativamente segura, sobre o Mediterrâneo.

No mesmo dia, a Rússia, aliada do governo central da Síria na guerra civil, notificou a perda do contato com uma aeronave Ilyushin Il-20M, uma versão de ELINT (Inteligência Eletrônica) derivada do clássico Ilyushin Il-18, uma aeronave de transporte soviética bastante utilizada ao redor do mundo e que, além do Il-20, tem ainda vários outros derivados para diversas funções. Este Il-20M em particular tinha recém abortado uma missão e estava voltando para sua base, Khmeimim, quando se perdeu o contato com a aeronave.

No dia seguinte, os destroços da aeronave foram localizados, e constatou-se que, infelizmente, nenhum dos 15 tripulantes havia sobrevivido.

Inicialmente se acreditava tratar de um incidente de ‘fogo amigo’ – baterias SAM (Mísseis Superfície-Ar) sírias teriam atingido o Il-20 enquanto tentavam repelir o ataque israelense. Os russos rapidamente culparam os israelenses, ainda que indiretamente, pela perda do Il-20.

Após alguns dias de tensões entre Israel e Rússia, um grupo da IAF (Força Aérea Israelense), que incluía o próprio comandante da IAF, Maj. Gen. Amikam Norkin, foi pessoalmente a Moscou se reunir com o alto comando militar russo e apresentar os dados de que dispunham com os russos.

Inicialmente, o presidente russo Vladimir Putin culpou o evento a uma ‘infelicidade’ – como os SAM sírios não dispõem de IFF (Identificador Amigo ou Inimigo), os operadores sírios teriam atingido o Il-20 devido a um erro de identificação.

Entretanto, pouco depois, a Rússia tornou oficial uma acusação que já tinha aparecido antes – Israel teria usado o Il-20 como um ‘escudo’ para seus F-16 no ataque, portanto a culpa era toda de Israel, e como retaliação os sírios acabariam recebendo os avançados SAM S-300 que vinham pedindo há tempos, o que realmente acabou por acontecer pouco mais de um mês depois do abate do Il-20.

Este é o resumo da história – mas, como de costume, as coisas não são tão simples como parecem a uma primeira vista.

ATAQUES ISRAELENSES NA SÍRIA

O F-16I é o modelo mais utilizado nos ataques contra alvos na Síria (Major Ofer, IAF, CC BY 4.0)

Tecnicamente falando, Israel e Síria estão em guerra desde 1973 (Guerra do Yom Kippur). Entretanto, oficialmente, Israel não interfere na sangrenta Guerra Civil da Síria, um conflito que vem se arrastando desde 2011. O Irã é, atualmente, o pior inimigo de Israel, mas é um grande aliado do governo central da Síria. Uma das principais forças a serviço dos iranianos é o grupo jihadista libanês Hizballah, que por sinal também é um grande inimigo de Israel.

Ao mesmo tempo em que declarou sua neutralidade em relação à guerra civil, Israel deixou bem claro para Bashar Al Assad, presidente sírio, que tem algumas ‘linhas vermelhas’ que não vai tolerar: 

  • Incursões ou ataques contra Israel, mesmo que sejam ‘balas perdidas’
  • Presença do Irã ou do Hizballah em regiões próximas à fronteira com Israel
  • Transferência de armas avançadas ao Hizballah, ainda que sejam no contexto da guerra civil

Como o Irã pretende se estabelecer na Síria por um longo período, os iranianos testam a prontidão de Israel em retaliar a brecha das ‘linhas vermelhas’, e Israel prontamente ataca iranianos e libaneses do Hizballah, conforme o caso, e também os sírios que tentam repelir os ataques israelenses. 

O ‘cavalo de batalha’ israelense nos ataques contra alvos na Síria é o F-16I. Além de armas israelenses, a IAF também utiliza armas americanas como as JDAM e GBU-39 SDB (Small Diameter Bomb, bomba de pequeno diâmetro, que foi a arma de escolha no ataque a Latakia) 

A SDB faz parte da nova geração de PGM (munições guiadas de precisão) de tamanho reduzido. É uma bomba planadora guiada, relativamente pequena, da classe de 250 lb (~113 kg), menor até que as GBU-12 de 500 lb (~227 kg) da geração anterior. A SDB é bastante apreciada pelo reduzido raio letal (importante contra alvos em áreas urbanas), excelentes propriedades penetrantes e pequenas dimensões e pesos, o que permite que um F-16I carregue 8 SDB com facilidade, com impacto mínimo na performance da aeronave. 

Bombas GBU-39 SDB num ‘quad pack’ (conjunto quádruplo). Muitos ataques israelenses foram feitos por F-16I carregando um ‘quad pack’ sob cada asa (USAF, domínio público)

Além dos SDB, os caças de Israel também carregam mísseis ar-ar (AMRAAM, Sidewinder, Python, Derby) e mísseis anti-radar (AGM-88 HARM), para se defender de ações de caças e/ou SAM sírios. 

A tática israelense usual é disparar a partir do espaço aéreo libanês, o que praticamente impede uma resposta de SAM sírios. Como as distâncias na região são relativamente curtas, os 70-100 km de alcance das bombas planadoras é suficiente para boa parte dos alvos. 

A IAF geralmente segue um perfil de voo Lo-Hi-Hi-Lo, ou seja, ingresso a baixa altitude, subida a elevada altitude tanto para adquirir o alvo como para lançar as armas (dando-lhes assim maior alcance) e evasão a baixa atitude; o voo a baixa altitude limita severamente o alcance de detecção de radares devido à curvatura da Terra. Perfis de voo diferentes são usados apenas em missões específicas. 

A combinação deste perfil de voo com sistemas avançados de ECM (contra-medidas eletrônicas) para interferir nos radares, mais o uso de HARM e ‘drones suicidas’ como os HAROP com a missão de atacar os SAM é típica das missões israelenses. 

Este conjunto de táticas e sistemas coloca os operadores de SAM numa situação muito difícil – se ligarem os radares eles se expõem a ataques dos ‘drones suicidas’ e mísseis HARM, se não ligarem os radares os israelenses atacam locais que os SAM deveriam estar protegendo. Isto faz com que a maioria dos ataques israelenses consiga evitar ações das defesas sírias, ou destruí-las quando tentam interferir. 

Uma característica militar e diplomática israelense é a ambiguidade em relação a capacidades militares, inclusive missões: Israel quase nunca assume a autoria de ações, mas também raramente nega. Isso também se aplica a ataques contra posições iranianas na Síria e no Iraque; vários ataques aéreos nestes locais são atribuídos aos israelenses, que raramente confirmam ou negam as acusações.

O ATAQUE A LATAKIA

Mapa da Síria (OCHA, ONU, CC BY 3.0). Observe-se a localização de Latakia, no extremo noroeste do litoral sírio, e como ela é relativamente perto de Tartus, que é a sede de uma importante base militar russa

Latakia é uma das principais cidades portuárias da Síria, e fica a cerca de 230 km a noroeste de Damasco e a 420 km ao norte de Jerusalém. Latakia fica a norte-noroeste da Síria, perto da fronteira com a Turquia. 

Embora Israel tenha atacado a Síria centenas de vezes, a região de Latakia ainda não tinha sido atacada por Israel, especialmente depois da entrada da Rússia na guerra em 2015. Latakia fica perto das importantes bases militares russas em Tartus e Khmeimim, e a IAF não atacou o local por receio de causar baixas entre os russos. 

Entretanto, dados de inteligência apontavam que o Irã estava usando a cidade para transferir armas avançadas ao Hizballah. Receoso de que o Hizballah poderia utilizar tais armas contra Israel, e para manter sua credibilidade em relação às ‘linhas vermelhas’, o Alto Comando israelense decidiu atacar. 

Como de costume, a combinação de F-16I e SDB foi a escolhida para o ataque; 4 aeronaves seriam utilizadas nesta missão, cada uma com dois ‘quad packs’ de SDB. Entretanto, devido à localização de Latakia, a tática de atacar a partir do Líbano não era viável. 

Israel precisaria atacar ou a partir do próprio espaço aéreo sírio ou a partir de águas internacionais sobre o Mediterrâneo; tal perfil de voo é bastante perigoso, ainda mais ao se lembrar que alguns meses antes, mais precisamente em 10/02/2018, um F-16I foi abatido na região de fronteira entre Síria e Israel. 

A guerra civil é palco da presença de diversos players, cada um com interesses distintos; na data do ataque, a fragata francesa Auvergne, da classe FREMM, estava nos arredores de Latakia, chegando inclusive a disparar suas armas, conforme noticiado por diversos veículos da mídia. 

Além dos próprios sírios, iranianos e franceses, há também os russos, militares dos EUA e Turquia ao longo da fronteira entre Síria e Turquia, curdos (aliados dos EUA), o Chipre – que não está envolvido na guerra mas fica a menos de 200 km de Latakia – entre outros players. 

Um verdadeiro ‘balaio de gatos’, e incidentes internacionais acontecem com relativa frequência por ali, o que mantém as tensões bastante elevadas; a chance de um erro causar uma guerra entre outros países, ou de atrair outros players para a região, é um risco sempre presente. 

Israel decidiu por atacar a partir do Mediterrâneo, e assim o fez na noite do dia 17/09/2018. Como de costume para evitar atritos com os russos, Israel lhes avisou que atacaria alvos na região norte da Síria, e os russos não interferiram no ataque israelense, que foi bem sucedido. 

Entretanto, ainda no dia 17, a Rússia comunicou a perda de comunicações com um Il-20M, mais ou menos ao mesmo tempo em que o ataque israelense ocorreu. Não demorou muito até confirmar o motivo da perda de comunicações com o Il-20: ele foi abatido por mísseis. Todos os 15 tripulantes a bordo morreram. 

E é a partir daqui que começam as contradições nas versões apresentadas. 

A GUERRA DAS NARRATIVAS 

A repercussão da queda do Il-20 foi grande o bastante para que Israel ‘ignorasse’ a política de ambiguidade e admitisse o ataque e enviasse o próprio Comandante da Força Aérea a Moscou.

Mas nem estas ações israelenses foram o suficiente para que a Rússia revertesse sua versão oficial, que culpa Israel pelo abate do Il-20. 

Além das versões oficiais de Israel e Rússia, outras ‘versões’ ainda circulam por aí. 

A VERSÃO ISRAELENSE 

Rack quádruplo (‘quad-pack’) de bombas GBU-39 SDB, versão de manejo, sendo instaladas sob um F-15E da USAF durante treinamento na Base Lakenheath, Reino Unido (Master Sgt. Lance Cheung, USAF, domínio público)

A versão israelense, divulgada na mídia internacional e a que a IAF apresentou em Moscou, aponta que, como de costume, as aeronaves atacaram seus alvos em Latakia usando o perfil padrão Lo-Hi-Hi-Lo.

Israel avisou a Rússia do ataque com 12 minutos de antecedência.

Para não serem atacados por armas como os HARM e HAROP, e ao mesmo tempo não ficarem de braços cruzados, os sírios geralmente fazem uma série de movimentos inúteis e até perigosos:

  1. Disparam os mísseis às cegas, sem ligar os radares; tal prática tem chance quase nula de atingir os alvos, além do que os mísseis acabam por cair em regiões populosas. Um dos mísseis SA-5 acabou caindo no Chipre e causando um incêndio florestal em junho de 2019, confirmando esta asserção israelense
  2. Ligam os radares e atiram os mísseis quando as aeronaves israelenses já deixaram a área
  3. Atiram em qualquer alvo, mesmo quando sistemas IFF não estão disponíveis

Ao que parece, uma combinação de 2 e 3 foi o que aconteceu no dia 17/09. 

É interessante observar que a versão israelense não menciona o Il-20, mencionando-o apenas como uma vítima colateral; Israel lamenta a perda da aeronave e da tripulação, mas não assume nenhuma responsabilidade pelo fato, dizendo ao invés disso que toda a culpa deve ser atribuída aos operadores sírios de SAM por usarem, deliberadamente, táticas perigosas a aeronaves aliadas. 

Uma aeronave Il-20, que tinha recebido a ordem de retornar à base de Khmeimim quando a Rússia foi avisada do ataque, foi erroneamente identificada pelos operadores sírios de SA-5 como sendo uma aeronave israelense.  

Como o Il-20 é lento (velocidade de cruzeiro em torno de 625 km/h) e pouco manobrável, além de não dispor de sistemas de ECM (Contra-medidas eletrônicas), não foi possível evitar o SAM. 

É curioso observar que os operadores de SAM sírios, como os iranianos em 2020 que abateram uma aeronave ucraniana de passageiros, não tiveram a competência necessária para diferenciar aeronaves completamente diferentes de caças e mísseis de cruzeiro. 

A VERSÃO RUSSA 

Mapa distribuído melo Ministério da Defesa da Rússia à mídia internacional; observe-se a fragata francesa Auvergne em azul, próximo ao centro do mapa (reprodução; versão maior aqui)

Ao invés dos 10-20 minutos de antecedência usuais, o aviso israelense aconteceu a menos de 5 minutos (algumas fontes apontam apenas 1 minuto) antes do ataque a Latakia [Nota do autor: os S-400 deveriam ter detectado antes, se as informações publicadas em relação ao alcance estiverem corretas].

Assim que os israelenses avisaram, o comando russo ordenou à aeronave Il-20 que retornasse imediatamente a Khmeimim. 

Entretanto, ao perceberem que estavam sob ataque dos SAM sírios, os pilotos de F-16 usaram o Il-20, muito maior e mais lento, como um ‘escudo’ contra os mísseis, mesmo sabendo que, ao fazer isto, colocavam o Il-20 em perigo. 

A ‘tática’ de usar uma aeronave grande como escudo não é nova; os ocidentais a utilizaram quando se esconderam atrás de um Boeing 747 da KAL (Korean Air Lines), voo 007, que foi abatido sobre a URSS em 1983 ao ser utilizado como ‘escudo’ por um RC-135 de ELINT [Nota do autor: esta é a versão russa do incidente; a versão americana do abate do KAL 007 é diferente]. 

E, de fato, o Il-20 foi atingido no ponto em que sua rota coincide com a rota dos F-16I, conforme apresentado no mapa acima. O míssil teria voado por 4 minutos antes de atingir o Il-20M [Nota do autor: curiosamente, os manuais soviéticos apontam que o tempo máximo de voo do S-200 é de 2,5 minutos]. 

Assim que perceberam que atingiram uma aeronave aliada enquanto tentavam atingir os israelenses, os operadores de SAM cancelaram os lançamentos de mísseis, e os israelenses aproveitaram a pausa para fugir. 

Desta forma, a culpa não é dos operadores sírios de SAM, mas dos pilotos israelenses que, covardemente, se esconderam atrás do Il-20 russo.

Observe-se a presença da fragata francesa Auvergne, em azul, perto do Chipre, no mapa oficial russo.

O articulista Ricardo Barbosa elaborou um excelente artigo, focando apenas na versão russa, que desmonta a tese do “escudo”. Segundo suas análises, o Il-20 ficou entre o site do SAM e um dos F-16 israelenses, mas o F-16 se manteve a dezenas de quilômetros de distância do avião russo, além de ficar a uma altitude bem diferente, o que reforça a tese de incompetência dos operadores de SAM.

OUTRAS VERSÕES E TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

Fragata francesa Auvergne, da classe FREMM (Mass Communication Specialist 2nd Class Elesia K. Patten, US Navy, domínio público)

Conforme o esperado, aliados de Israel seguem a versão israelense e aliados da Síria seguem a versão russa, com pouca ou nenhuma alteração.

Entretanto, surgiram rumores, entre eles os divulgados pela Reseau International e pela FRN (Fort Russ News), de que o abate poderia ter sido efetuado pela França ou pelo Reino Unido. Embora estas fontes sejam mais conhecidas por teorias da conspiração do que por análises precisas, alguns pontos de suas análises sobre o acidente merecem atenção. 

A suspeita da Reseau / FRN parte da suposição que a versão russa é correta, pelo menos em termos da rota de voo do Il-20. Mas a partir daí a ‘teoria’ diverge bastante da versão russa, e mais ou menos corrobora a versão israelense.

O Il-20, segundo tais análises, ou estaria sobre o Mediterrâneo ou sobre a Síria mas a cerca de 5 minutos de voo de Khmeimim no momento do abate (considerando a versão russa.)

Além disso, os perfis nas telas dos radares e de voo do F-16I e do Il-20M, inclusive altitudes e velocidades, são consideravelmente diferentes (ao contrário do caso do RC-135 e do Boeing 747 do incidente da KAL), portanto não faria o menor sentido para os F-16 tentar usar o Il-20M como ‘escudo’.

Em nenhuma destas situações seria possível que os F-16 estivessem perto do Il-20, ‘confirmando’ a versão israelense. 

Conforme dito antes, e confirmado pela versão russa do incidente, a fragata Auvergne estava na região de Latakia quando o Il-20 foi abatido (a versão israelense não menciona a Auvergne, mas a França não negou a presença da FREMM). 

Também conforme mencionado antes, o Il-20 é um derivado do Il-18. Entretanto, conforme também mencionado antes, o Il-18 tem diversos derivados, entre eles o Il-38 de patrulha marítima e o Il-22PP de guerra eletrônica. Como são muito parecidos externamente e também nos radares, é possível que a Auvergne tenha atacado o Il-20 por engano (pensando se tratar de aeronaves de patrulha marítima / guerra eletrônica), ou deliberadamente (caso suspeitassem que o Il-20 tinha interceptado informações eletrônicas importantes). 

Outra possibilidade aventada pelos sites é que o Il-20 se aproximou demais de uma zona de exclusão aérea em torno da base inglesa de Akrotiri, localizada no Chipre, e foi abatida por um dos Eurofighter britânicos estacionados naquela base. 

O fato que, além de membros da OTAN, França e Reino Unido são potências nucleares, levaria a Rússia a uma situação delicada – culpar qualquer um deles pelo abate do Il-20 poderia levar a uma guerra aberta contra a OTAN, a qual certamente envolveria os EUA. Acusar algum deles, portanto, seria inviável. 

A outra versão – a aliada Síria abatendo um valiosa aeronave sua por engano – seria muito embaraçosa para a Rússia, que se veria forçada a tomar alguma atitude que poderia desfazer algum dos avanços que custaram tão caro para a Rússia na região. Esta opção também seria ruim para a Rússia 

Para manter as aparências, a Rússia e Israel, que tem boas relações em várias áreas, inclusive a guerra sobre a Síria, teriam costurado um acordo – Israel ‘aceita’ a culpa (fazendo um protesto medíocre na mídia), Rússia entrega os S-300 que havia prometido faz tempo mas tinha retido devido a um acordo com os israelenses (não entrega uma versão avançada, mas uma que estava ‘juntando poeira’ nos depósitos russos, conforme apontamos neste artigo). Desta forma, a Síria fica ‘inocente’ e recebe um ‘agrado’, não tendo portanto nada a acrescentar à versão russa. 

Os franceses, britânicos e americanos iriam ‘fingir’ que a versão israelense está correta e acusar os operadores sírios pelo abate, o que livraria Israel, França e Reino Unido; as acusações sobre a Síria não teriam efeito pois os próprios russos inocentaram seus aliados.

CONCLUSÃO? 

É de costume, não apenas deste articulista mas também do Canal Militarizando, não tirar conclusões baseadas em ‘achismos’ e ‘torcidas’, mas em fatos – o grande problema, neste caso, é que os ‘fatos’ dependem de quem conta, e a verificação independente é praticamente impossível. 

Uma coisa é certa – as versões oficiais, tanto a israelense quanto a russa, tem ‘buracos’ consideráveis, alguns dos quais foram apontados na análise, e teorias da conspiração que, a princípio, não são muito críveis, acabam levantando pontos em que se pode concordar.

Sendo assim, deixamos as conclusões a você, caro leitor. Qual versão é mais verossímil? 

FONTES