Um fato pouco conhecido dos historiadores brasileiros foi o estopim que levou ao Brasil, um país até então neutro, a entrar na Segunda Guerra Mundial no ano de 1942. E essa motivação foram uma série de ataques realizados por um submarino alemão, o U-507, que levaram o país a entrar no conflito.

Esses ataques foram considerados como o “Pearl Harbor brasileiro”, pois, assim como nos Estados Unidos, no qual o surpreendente e chocante ataque a base norte-americana no Havaí levou o país para a guerra, essa séries de ataques no litoral brasileiro perpetrados pelo U-507 também levou o Brasil ao conflito.

O U-507

O submarino alemão U-507, em foto não datada.

O “Unterseeboot 507” foi um submarino alemão do “Tipo IXC” de longo alcance, pertencente a Kriegsmarine (Marinha de Guerra Alemã) que atuou durante a Segunda Guerra Mundial. Foi lançado no dia 15 de julho de 1941 e em seus 15 meses de operação o U-507 afundou e danificou 20 navios mercantes, totalizando 83.704 toneladas.

Nos seus 227 dias em que esteve em ação o U-507 teve apenas um único comandante: o então “Korvettenkapitän” (Capitão-de-Corveta) Harro Schacht (1907-1943), condecorado com a Cruz de Ferro de 1ª classe, em 1942, e com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro, em 9 de janeiro de 1943, quatro dias antes de sua morte. Postumamente, foi promovido a “Fregattenkapitän” (Capitão-de-Fragata) em 1944.

Alguns navios brasileiros afundados pelo U-507 em agosto de 1942, em sentido anti-horário: Baependy, Araraquara, Arará, Itagiba e Aníbal Benévolo.

O submarino ficou particularmente conhecido no Brasil pelo fato de ter afundado, entre os dias 15 e 19 de agosto de 1942, seis embarcações brasileiras (Baependy, Araraquara, Aníbal Benévolo, Itagiba, Arará e Jacira) no litoral dos estados do Sergipe e da Bahia, ocasionando a morte de mais de seiscentas pessoas, fato este que determinou a entrada oficial do país na Segunda Guerra Mundial, três dias depois, no dia 22 de agosto de 1942.

Notícia do jornal “Diário de Notícias” sobre os afundamentos dos navios brasileiros pelo U-507.

Para alguns historiadores militares e entusiastas, tais ataques alemães aos navios brasileiros tiveram a mesma amplitude do ataque japonês a base norte-americana de Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, forçando a entrada dos Estados Unidos na guerra. No caso brasileiro, a comoção pública em ter muitos civis, principalmente mulheres e crianças, entre os mortos fez com que a população exigisse ao então Presidente Getúlio Vargas a entrada do Brasil na guerra.

Notícia do “Jornal do Brasil” sobre os afundamentos dos navios brasileiros pelo U-507.

O INCIDENTE LACÔNIA

O U-156, com o U-507 ao fundo, durante o resgate das vítimas do naufrágio do SS Lacônia, em setembro de 1942.

Um mês depois das ações no litoral brasileiro, no dia 15 de setembro, enquanto voltava para sua base na cidade de Lorient, França, o U-507, juntamente com os submarinos U-156 e o U-505, tomou parte nas operações de salvamento durante o Incidente Lacônia, fato que fez com que o Grande-Almirante (Grossadmiral) Karl Dönitz, comandante da Kriegsmarine, proibisse os U-Boats de resgatar náufragos sobreviventes de seus ataques.

O “Incidente Lacônia” foi quando submarinos alemães que estavam resgatando sobreviventes de um navio de transporte afundado pelos próprios alemães (SS Lacônia) foram atacados por aeronaves da RAF (Real Força Aérea Britânica), mesmo eles tendo avisado a Cruz Vermelha Internacional que estavam em missão de resgate de náufragos (inclusive com a bandeira da Cruz Vermelha hasteada nos submarinos), forçando inclusive os alemães a submergirem e abandonar alguns sobreviventes em alto mar.

O FIM

O U-507 sendo atacado pelo PBY Catalina do Esquadrão VP-83 da US Navy, no dia 13 de janeiro de 1943, ação que resultou em seu afundamento. Essa fotografia foi tirada pela aeronave que o afundou.

O U-507 foi afundado no Atlântico Sul, no dia 13 de janeiro de 1943, a noroeste da Base Aérea de Natal, precisamente no litoral entre os Estados do Piauí e do Ceará (a cerca de 185 km da cidade de Parnaíba, Piauí), por um avião de patrulha marítima Consolidated PBY Catalina do Esquadrão VP-83 da Marinha dos Estados Unidos (US Navy), sediado em Fortaleza, Ceará. Não houve sobreviventes de sua tripulação de 54 homens, incluindo alguns tripulantes de navios afundados pelo U-507.

IMAGEM DE CAPA: Os ataques dos submarinos alemães aos submarinos brasileiros eram brutais. A imagem mostra o mercante “Tutóya” sendo atacado pelo submarino U-513 no litoral brasileiro.

FONTES: Wikipédia e o Facebook do Canal Militarizando, com informações e imagens do Site “Mar do Ceará”.

Agradecemos ao Sr. André Cabral pela dica da postagem, cujo trabalho, assim como o do Canal Militarizando, busca resgatar um capítulo pouco estudado da História Militar Brasileira.

Vídeo mostrando a Marinha Real Britânica afundando submarinos alemães, em 1942.