A “Guerra do Futebol” ou a “Guerra das 100 Horas” foi um conflito armado entre El Salvador e Honduras, dois países da América Central, que durou quatro dias, entre 14 a 18 de julho de 1969.

Os dois países, que na época já demonstravam uma relação política instável, tiveram seus níveis de hostilidade aumentados drasticamente em junho de 1969, após uma série de três partidas de futebol entre as seleções das duas nações, que disputavam uma vaga para a Copa do Mundo de Futebol, que seria disputada em 1970.

Durante as partidas (em especial a segunda, realizada em San Salvador), jogadores, torcedores e imigrantes nos dois países foram expulsos, perseguidos e assassinados, levando os dois países a romperem relações diplomáticas no fim do mesmo mês.

As partidas foram:

  • Honduras 1×0 El Salvador, no dia 8 de junho de 1969, na cidade de Tegucigalpa;
  • El Salvador 3×0 Honduras, no dia 15 de junho de 1969, na cidade de San Salvador.

Como naquele tempo não havia o critério de saldo de gols, foi necessária uma terceira partida para decidir a vaga:

  • El Salvador 3×2 Honduras, no dia 27 de junho de 1969, na Cidade do México.
O mapa do Teatro de Operações durante a Guerra do Futebol em 1969, mostrando as principais batalhas ocorridas.
Briga entre salvadorenhos e hondurenhos no final da partida de futebol no estádio Flor Blanca, em San Salvador, em 15 de junho de 1969.

Após as partidas (e a classificação garantida de El Salvador) os dois países iniciaram seus preparativos para a guerra. Os combates iniciaram-se na manhã de 14 de julho (após um ataque aéreo de El Salvador ao Aeroporto de Toncontín, em Tegucigalpa). Ambos os lados usaram aeronaves de origem norte-americana fabricadas ou com design da época da Segunda Guerra Mundial. Foram usados aeronaves North American (Cavalier) T/F-51D Mustang, Vought F4U-1, -4 e -5 Corsair, North American T-28A Trojans, North American AT-6C Texan e até aeronaves de transporte Douglas C-47 Skytrain convertidos em bombardeiros!

As tropas dos dois lados lutavam em condições bastante precárias, com armamento antiquado, sem comida e suprimentos adequados. A guerra acabou terminando sem vencedores apenas quatro dias depois, na noite do dia 18 de julho, apesar de ambos os lados terem se declarado vencedores. O conflito armado foi solucionada após a intervenção da Organização dos Estados Americanos (OEA), que negociou o cessar-fogo. Apesar disso, mais de uma década se passou até que um tratado de paz definitivo fosse assinado.

Soldados do Exército de El Salvador efetuando um deslocamento usando cavalos, mostrando bem a precariedade em que lutaram na guerra.
Duas aeronaves Cavalier Mustang F-51D, semelhantes aos usados pela Força Aérea de El Salvador durante o conflito.

Foram 2.100 as baixas dessa guerra, em sua maioria civis que viviam nas áreas fronteiriças entre os dois países. As tropas envolvidas na guerra foram por El Salvador cerca de 20 mil homens do exército e 1.000 da força aérea, enquanto pelo lado hondurenho haviam cerca de 12 mil homens do exército e 1.200 da força aérea.

Soldados hondurenhos marchando para a guerra em julho de 1969, com o sobrevoo de quatro Vought F4U Corsair da Força Aérea de Honduras.
Os combates entre os aviões da Força Aérea de Honduras e da Força Aérea de El Salvador foram os últimos combates de caças a pistão da época da Segunda Guerra Mundial.

IMAGEM DE CAPA: Manchete de um jornal mexicano sobre a vitória e a classificação de El Salvador sobre Honduras por 3 a 2, o estopim da Guerra do Futebol.

FONTES: Com informações da Wikipédia e Facebook do Canal Militarizando.