Desde meados da década de 1970, o Brasil passou por um grande desenvolvimento de sua indústria de Defesa, principalmente durante o Regime Militar, produzindo diversos armamentos e munições para as Forças Armadas brasileiras e também com o objetivo de exportar armas para os países amigos. Algumas dessas armas não tiveram prosseguimento em seu desenvolvimento, por diversas razões, principalmente políticas e econômicas, sendo que tais “armas secretas” (ou não) que não foram produzidas serão descritas nesse artigo.

O MÍSSIL TIPO “SCUD” DA AVIBRAS

A imagem mostra o “mock-up” em escala real do míssil que seria produzido pela Avibras.

Entre 1987 e 1989 a Avibras iniciou o desenvolvimento de um míssil balístico da classe do “SCUD-B”, era uma resposta ao míssil argentino Condor II ou “Projeto Alacrán”. Segundo a Avibras o protótipo inicial teria um “alcance de 300 km” sendo posteriormente ampliado conforme o avanço do projeto. O míssil seria guiado por um sistema inercial 100% nacional.

Sem apoio oficial do Governo Federal o projeto acabou morrendo de forma silenciosa, já que todo o gasto estava sendo bancado pela Avibras, e a empresa não tinha mais capital para desenvolvê-la. Segundo rumores a arma seria usada para transportar a primeira ogiva nuclear brasileira e que o alcance de 300 km era um engodo para despistar os norte-americanos.

Verdade ou não, nunca saberemos. Mas é interessante ver que o projeto foi cancelado bem na época em que o então Presidente Fernando Collor de Mello ordenou a destruição dos campos de testes e seus buracos profundos (onde seriam testadas as primeiras ogivas nucleares) no Centro de Provas Brigadeiro Veloso (CPBV) em Cachimbo, no Pará, fato consumado em 1990.

NOTA 1: Essa história é um dos capítulos das relações perigosas entre o Brasil e o Iraque (governado pelo ditador Saddam Hussein) na década de 1980, que, entre outras coisas, envolveu a venda de armas, veículos blindados, urânio e centrífugas brasileiras para o Iraque, enquanto que os iraquianos forneciam informações e tecnologia aos brasileiros sobre o seu programa nuclear. A parceria foi encerrada em 1990, quando o Brasil resolveu encerrar o seu programa nuclear e o Iraque invadiu o Kuwait, iniciando o que seria a Guerra do Golfo de 1991.

NOTA 2: Os iraquianos romperam a parceria com os brasileiros e deram um grande calote na Engesa e na Avibras (só nessa última foram US$ 42 milhões!), um dos motivos que provocou a falência da Engesa e a quase falência da Avibras.

O EMBRAER MFT-LF: O CAÇA BRASILEIRO

Concepção artística da Embraer de como seria o caça MFT-LF de dois lugares (também teria uma versão de um lugar).

O Projeto MFT-LF (sigla em inglês para Caça Leve Tático Multifuncional), da então estatal Embraer, poderia ter sido o primeiro jato de combate supersônico desenvolvido no Brasil, capaz de voar a mais de 1.600 km/h. O conceito foi apresentado no fim da década de 1980 como uma opção para substituir os caças Northrop F-5 Tiger II da Força Aérea Brasileira (FAB), em meados da década de 1990.

Além das dimensões compactas, muito próximas às do AMX, o novo avião de combate tinha um turbofan Rolls-Royce Snecma MH45 (um motor comercial) com cerca de 3.500 kg de empuxo. Provavelmente, com o pós-combustor, a potência seria bem maior. Não se tem dados de quanto seria seu peso, desempenho e sistemas de armas. Teriam versões monoplace (de um lugar) e biplace (de dois lugares).

O projeto, apesar de interessante para a FAB e para exportar o produto para nações amigas, não deu certo porque o governo brasileiro não se interessou em financiar o projeto e a Embraer não tinha recursos financeiros para desenvolvê-lo de forma independente, pois já estava envolvida no projeto da aeronave de ataque AMX.

A BOMBA TERMOBÁRICA “TROCANO”

Uma Trocano sendo colocada em um C-130 Hercules da FAB antes de um voo de testes.

O “Projeto Trocano” começou a ser desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) da Força Aérea Brasileira (FAB) a partir do ano de 2004. Tratava-se de uma grande bomba que poderia ser utilizada para interdição de grandes áreas e para abertura de clareiras que possibilitassem o pouso de aeronaves de asas rotativas em área de mata fechada.

A bomba foi projetada para ser carregada em uma aeronave Lockheed C-130 Hercules da FAB e lançada usando um pára-quedas (drag chute) para arrastá-la a partir do compartimento de carga do C-130 e separado de seu estrado, ponto em que a própria aerodinâmica da bomba determinaria a sua trajetória de queda.

A Trocano era formada por 9.000 kg de tritonal, um poderoso explosivo. Sua detonação teria um raio de destruição aproximado na casa de 1 km. A produção seriada desse sistema seria custeada pelo Estado Maior da Aeronáutica (EMAER) da FAB e depois repassada à indústria nacional.

Como armamento, a Trocano teria como característica produzir um grande efeito de sopro e seria indicada para o emprego em construções constituídas por estruturas de alvenaria e concreto convencionais. Os testes realizados com a bomba foram satisfatórios, mas por motivos nunca esclarecidos, a FAB resolveu encerrar o projeto em 2011.

IMAGEM DE CAPA: Explosão de uma grande bomba convencional de origem norte-americana BLU-82, com a mesma função e capacidade da bomba Trocano (imagem meramente ilustrativa).

FONTES: Com informações da Wikipédia, Facebook do Canal Militarizando, Airway, Tecnoblog e Poder Aéreo.