A “Operação Priha” (“Flor”, em tradução livre) foram uma série de ataques realizados pela Força Aérea Israelense (IDF/AF) durante a Guerra de Atrito (1967-1970). Ocorrendo entre janeiro e abril de 1970, as operações consistiram em 118 missões contra alvos no coração do Egito. Os ataques foram realizados quase exclusivamente pelos caças McDonnell Douglas F-4E Phantom II, operado na época apenas pelo Esquadrão 201 “The One” e pelo Esquadrão 69 “The Hammers”. Embora taticamente bem-sucedidas, as operações não conseguiram atingir seu objetivo de pressionar o governo egípcio a pedir um cessar-fogo.

Mapa de Israel antes e depois da Guerra dos Seis Dias em 1967.

ISRAEL E A “GUERRA DE ATRITO”:

No final de 1969, Israel havia alcançado a supremacia aérea em sua batalha com as defesas aéreas egípcias ao longo do Canal de Suez. Israel, que ocupava o Sinai e a margem direita do Canal de Suez desde o final da Guerra dos Seis Dias em 1967, no entanto, foi incapaz de traduzir suas conquistas militares em ganhos diplomáticos, e a guerra continuou. Para aumentar o custo do Egito para manter a guerra e obrigá-lo a buscar um cessar-fogo, o governo israelense decidiu levar a guerra mais para dentro do território egípcio. Esses ataques deveriam ocorrer inicialmente em locais próximos de áreas civis, à vista do público egípcio, a até 160 quilômetros de distância do Canal, com a expectativa de que a crescente pressão pública forçaria o então presidente Gamal Abdel Nasser a buscar um cessar-fogo.

AS OPERAÇÕES:

Caças F-4 Phantom II, escoltados pelos caças Mirage IIICJ, decolam para mais uma missão durante a Operação Priha.

Priha 1, 7 de janeiro – Dois F-4 Phantom II do Esquadrão 201 atacam uma escola de operadores do míssil antiaéreo SA-2 perto de Helwan, enquanto um par de F-4 do Esquadrão 69 ataca postos de comando egípcios perto do Cairo.
Priha 2, 13 de janeiro – Quatro Douglas A-4 Skyhawk do Esquadrão 115 (“The Flying Dragon”) atacam um acampamento do exército egípcio na região do Delta, outro quarteto ataca quartéis perto da cidade de Suez, dois A-4 do Esquadrão 109 (“The Valley”) atacam quartéis perto de Tall al Kabir e dois F-4 do Esquadrão 201 atacam um acampamento de sinaleiros.
Priha 3, 18 de janeiro – Dois F-4 do Esquadrão 201 atacam uma fábrica de munição em Jebel Huf, ao norte de Helwan, enquanto um par de F-4 do Esquadrão 69 atinge um depósito de munição 10 km a oeste do Cairo.
Priha 4, 23 de janeiro – Dois F-4 do Esquadrão 201 atacam um depósito de munição a 10 km a oeste do Cairo, o mesmo atingido cinco dias antes.
Priha 5, 28 de janeiro – Dois pares de F-4, um par de cada esquadrão (69 e 201) atacam bases de mísseis em Dahshur, ao sul do Cairo. Outro par de F-4 do Esquadrão 69 ataca uma base do exército 5 km a sudeste do Cairo.
Priha 6, 2 de fevereiro – Um par de F-4 do Esquadrão 201 ataca as bases do exército egípcio perto de Asyut, no Alto Egito. Vários MiGs são enviados para interceptar os invasores israelenses, mas não conseguem chegar a tempo para intervir. Um par de F-4 do Esquadrão 69 ataca uma estação de radar P-12 em Baltim.
Priha 7, 6 de fevereiro – Dois F-4 do Esqudrão 201 atacam quartéis perto de Gandela, no Alto Egito. Um par de F-4 do Esquadrão 69 atavam novamente Tall al Kabir na região do Delta.
Priha 8, 8 de fevereiro – Dois F-4 do Esquadrão 69 atacam uma base de comando da Marinha Egípcia enquanto ao mesmo tempo dois F-4 do Esquadrão 201 atacam armazéns do exército perto de Helwan. Os MiG-21 da Força Aérea Egípcia são enviados de Inshas nas proximidades, e no duelo que se segue, dois são abatidos – um por um F-4 do 201 e outro por um Dassault Mirage IIICJ, do Esquadrão 119 (“The Bat”), que davam cobertura aos Phantoms.
Priha 9, 12 de fevereiro – Dois F-4 do Esquadrão 201 atacam instalações de radar egípcias em Jebel Obeid, enquanto dois F-4 do Esquadrão 69 são enviados para atacar bases do exército em Hanca. A identificação equivocada do alvo resulta no bombardeio de uma fundição de metal em Abu Zabel e na morte de 70 civis trabalhadores egípcios. Por causa desse ataque o Ministro da Defesa israelense, Moshe Dayan, proíbe ataques contra alvos em um raio de 20 km do centro do Cairo. No final do dia, dois F-4 do Esquadrão 201 atacam novamente as bases do exército em Dahshur, enquanto dois F-4 do Esquadrão 69 destroem uma instalação de radar em Abu Suweir.
Priha 10, 17 de fevereiro – Dois F-4 do Esquadrão 201 destroem uma bateria de mísseis SA-2 perto de Dahshur.

Um caça McDonnell Douglas F-4E Phantom II que pertenceu ao Esquadrão 201 (“The One”) foi preservado e está em exibição no Museu da Força Aérea Israelense, em Hatzerim.

Priha 11, 26 de fevereiro – Dois F-4 do Esquadrão 201 atacam uma bateria de mísseis SA-2 e uma instalação de treinamento perto da Base Aérea de Cairo-Oeste. Caças Mikoyan-Guerevich MiG-21 “Fishbed” são enviados para interceptar os invasores, mas recuam quando os Mirages israelenses chegam ao local. Mais tarde, no mesmo dia, dois F-4 do Esquadrão 69 atacam outra bateria de mísseis antiaéreos na região do Delta do Nilo e são novamente interceptados por MiGs egípcios. Os F-4 do Esquadrão 69 recuam, mas um par de F-4 do Esquadrão 201 e quatro Mirages do Esquadrão 119 em Patrulha Aérea de Combate (PAC) são direcionados contra os interceptores egípcios. Três MiGs são derrubados pelos Mirages sem perdas, embora o Egito reivindique a destruição de três aeronaves israelenses.
Priha 12, 6 de março – Quatro F-4, dois de cada esquadrão (69 e 201), atacam uma bateria de mísseis SA-2 perto de El Mansourah e uma instalação de radar perto de Domyat.
Priha 13, 13 de março – Dois F-4 do Esquadrão 201 atacam uma instalação de radar em Ras Obeid.
Priha 14, 17/18 de março – Os ataques de ambos os esquadrões contra alvos em Tall el Kabir e Helwan são cancelados devido ao mau tempo (tempestades de areia).
Priha 15, 23 de março – Uma instalação de radar em Baltim é atingida por dois 69 Squadron Phantoms.
Priha 16, 26 de março – Dois F-4 do Esquadrão 69 atacam uma bateria de mísseis antiaéreos em Qassasin.
Priha 17, 31 de março – Quatro F-4 do Esquadrão 201 além de um único F-4 do Esquadrão 69 atacam sítios de mísseis antiaéreos perto de El Mansourah.

Priha 18, 3 de abril – Quatro F-4 do Esquadrão 69 atacam novamente sítios de mísseis antiaéreos perto de El Mansourah.

Priha 19, 8 de abril – Quatro F-4 do Esquadrão 201 bombardearam uma escola primária perto de Bahr el Baqar, matando 47 crianças. Israel disse que o alvo era um quartel-general do Exército Egípcio e que as crianças eram utilizadas como escudo humano.
Priha 20, 10 de abril – Originalmente destinado a fazer parte do Priha 19, dois F-4 do Esquadrão 201 atacam uma instalação de radar em Wadi Zur.
Priha 21, 13 de abril – Uma bateria de mísseis antiaéreos SA-2 perto de Manzala é atingida por um par de F-4 do Esquadrão 69, enquanto dois F-4 do Esquadrão 201 atacam uma instalação de radar perto de Wadi Zur.

A cauda de um F-4 Phantom II que pertenceu ao Esquadrão 69 e também está preservado em Hatzerim.

CONSEQUÊNCIAS:

A crescente presença soviética no Egito e o aumento da probabilidade de um confronto com as forças soviéticas levaram o governo israelense a cancelar a Operação Priha. Apesar de infligir danos consideráveis ​​ao poderio militar egípcio, a campanha de bombardeios apenas uniu o povo em apoio ao governo. Em vez de trazer o Egito para a mesa de negociações, teve o efeito oposto. Humilhado e irritado, Nasser se voltou para Moscou em busca de apoio e armas adicionais, atraindo a União Soviética ainda mais para o conflito. Em vez de facilitar um cessar-fogo, a Operação Priha de fato aumentaram as tensões e levaram a uma maior escalada na Guerra de Atrito.

Em suas memórias, Yitzhak Rabin, na época embaixador de Israel nos Estados Unidos, relata que incentivou o governo israelense a iniciar a Operação Priha e credita aos ataques no Egito o fortalecimento dos Estados Unidos em suas negociações com os soviéticos. Ele escreve: “A partir de então, a administração americana foi gradualmente se livrando do sentimento deprimente de que estava apoiando o perdedor no Oriente Médio”.

Além do aumento da escalada de tensão entre israelenses e egípcios, a Operação Priha (e a posterior “Operação Rimom 20”) instigam os árabes a planejar uma vingança contra Israel para mais uma vez tentar “jogar o povo israelense para o mar.” Essa vingança seria a Guerra do Yom Kippur, iniciada pelos árabes em outubro de 1973 (com a campanha aérea nesse conflito se iniciando na “Batalha Aérea de Ofira”).

IMAGEM DE CAPA: Aviadores israelenses do Esquadrão 69 aprendendo a pilotar o caça McDonnell Douglas F-4E Phantom II (ajoelhados) e seus instrutores norte-americanos (em pé) na George AFB, 1969, Muitos desses pilotos e WSO (Operadores de Sistemas de Armas) participaram da Operação Priha.

FONTES: Wikipédia, AP, Facebook do Canal Militarizando e Jornal Haaretz de Israel.