Esse conflito, que durou pouco mais de três meses, entre os dias 9 de julho e 2 de outubro de 1932, entre o Estado de São Paulo e o Governo Federal, comandado pelo governo provisório de Getúlio Vargas (que mais tarde seria ditatorial), no qual os paulistas exigiam do Presidente uma nova Constituição Federal, foi caracterizando por ações militares em terra, no mar e no ar, sendo o uso da aviação militar uma novidade para a época.

A aviação militar governista era basicamente formada pela Aviação Militar (do Exército Brasileiro) e a Aviação Naval (da Marinha do Brasil), já que na época a Força Aérea Brasileira (FAB) ainda não existia. Já a aviação militar dos paulistas era bastante heterogênea, formada por algumas aeronaves da Força Pública do Estado de São Paulo (hoje a Polícia Militar do Estado de São Paulo), algumas aeronaves desertoras dos dois serviços aeronáuticos militares brasileiros, além de aeronaves civis requisitadas para o conflito.

Tropas Legalistas, entre eles o então Major Eduardo Gomes (futuro Marechal-do-Ar, o quarto da direita para a esquerda).
Aviadores paulistas posando para uma foto no Campo de Marte, em setembro de 1932.

Os ataques aéreos e a presença de aeronaves militares no ar foram ações inéditas naquela ocasião, não raro causavam pânico nas tropas entre ambos os adversários. Esse efeito psicológico foi explorado ao máximo por ambos os lados, que instituíram a prática de empregar patrulhas regulares, para causar a inquietação entre as tropas e desestabilizá-los.

Durante o conflito, ocorreram dois fatos bem marcantes sobre a atuação dos aviadores de ambos os lados nesse conflito. No dia 8 de agosto de 1932, ocorreu um grande feito da aviação militar brasileira durante um combate aéreo que se travou nos céus de Capão Bonito e Buri. Na ocasião um Potez paulista (A-212), da esquadrilha comandada pelo Major Lysias Rodrigues (comandante do 1º Grupo de Aviação constitucionalista), atacou uma aeronave de observação e bombardeio Potez 25 TOE (A-117) da esquadrilha governista, acabando por derrubá-la na cidade de Buri após ser metralhada em pleno ar e na sequência caiu em chamas no cemitério velho daquela cidade, sendo destruída pelo fogo.

O abate do Potez 25 TOE A-117, que não teve vítimas fatais, foi considerado o primeiro avião abatido em combate aéreo na América Latina, antecipando-se em oito semanas a um evento semelhante ocorrido no dia 30 de setembro de 1932, quando um avião paraguaio Wibault 73 foi derrubado por um Vickers 143 boliviano, na Guerra do Chaco entre os dois países, conforme consta dos registros aeronáuticos internacionais.

Equipe de terra armando um Potez 25 TOE com bombas de 12 kg, em uma base paulista.

Com o intuito de marcar o seu espírito ofensivo, os paulistas planejaram um audacioso ataque ao Campo de Resende, ocupado pelas forças governistas, levado a efeito no dia 13 de agosto às 01h30min, sem maiores consequências táticas, mas constituindo-se no primeiro ataque aéreo noturno realizado na América Latina. Esse ataque ocorreu dois anos e quatro meses antes do alegado primeiro ataque noturno, de um avião naval paraguaio Macchi M 18, que consta nos registros aeronáuticos como tendo sido realizado no 20 de dezembro de 1934.

Os Tenentes José Ângelo Gomes Ribeiro (à direita) e Mário Machado Bittencourt, mortos em combate na Baía de Santos já nos últimos dias da Revolução.

Durante o conflito, outros ataques, noturnos e diurnos foram realizados (alguns com a morte de civis, uma novidade), além de outras aeronaves foram abatidas e perdidas (uma aeronave paulista, um Curtiss Falcon foi supostamente abatida pelo Cruzador da Marinha do Brasil “Rio Grande do Sul”, que bloqueava o Porto de Santos, na fase final do conflito, matando o piloto e o seu observador). As hostilidades cessaram no dia 2 de outubro de 1932, com a vitória das forças legalistas e o exílio dos líderes paulistas, mesmo assim o objetivo político foi alcançado, porque dois anos depois Vargas promulgou a Constituição de 1934.

Nesse conflito foi percebida a forte impressão do impacto da aviação militar em combate, algo que seria percebido pouco mais de dez anos depois, com o início da Segunda Guerra Mundial, e a honrosa participação brasileira no conflito, principalmente da já independente Força Aérea Brasileira, na Campanha da Itália, como o 1º GAvCa (Grupo de Aviação de Caça) e a 1ª ELO (Esquadrilha de Ligação e Observação).

Cidade paulista vítima de um ataque aéreo Legalista, durante a Revolução de 1932.

IMAGEM DE CAPA: Arte retratando o combate aéreo sobre Buri no dia 8 de agosto de 1932. O Potez constitucionalista A-212, abaixo, atinge com uma rajada de metralhadora o Potez legalista A-117, obrigando-o a uma aterragem forçada com perda total do aparelho.

FONTES: Com informações da Wikipédia, Jornal O Povo e a Revista Militar.