Rimon 20 (hebraico: רימון 20, “Romã 20”) foi o codinome de uma batalha aérea em 1970 que opôs a Força Aérea Israelense (IAF) diretamente contra os pilotos de caça soviéticos estacionados no Egito, usando aeronaves pertencentes à Força Aérea Egípcia, durante a Guerra de Atrito (1967-1970). Israel planejou o combate a fim de enviar a mensagem de que não toleraria mais o envolvimento militar soviético direto em seu conflito com o Egito.

Na tarde de 30 de julho de 1970 quatro interceptadores Dassault Mirage III israelenses cruzaram o espaço aéreo egípcio, voando em formação compacta de modo a aparecer nos radares egípcios como uma única aeronave. Como esperado, quatro caças Mikoyan-Guerevich MiG-21 “Fishbed” soviéticos foram escalados para interceptar o que eles acreditavam ser um voo de reconhecimento israelense de rotina. Eles logo se juntaram a outros oito MiG-21 realizando PACs (Patrulhas Aéreas de Combate). Quando os caças soviéticos se aproximaram dos Mirages, eles foram emboscados por quatro caças McDonnell Douglas F-4E Phantom II e oito Mirage III israelenses que estavam à espreita sem serem detectados em baixa altitude. Mais doze MiG-21 rapidamente chegaram ao local da batalha. Ao final da encarniçada luta, cinco MiG-21 soviéticos haviam sido abatidos sem nenhuma derrota israelense.

Os líderes militares egípcios ficaram satisfeitos com o resultado da batalha porque os soviéticos há muito criticavam as perdas aéreas do Egito para Israel e as atribuem à falta de habilidade dos pilotos de caça egípcios. Os soviéticos mantiveram silêncio sobre o incidente para evitar o constrangimento da derrota. Foi um dos combates finais da Guerra de Atrito e acredita-se amplamente que contribuiu para o fim das hostilidades entre Israel e Egito no conflito.

A chegada dos soviéticos ao Egito e o recuo israelense

Caças MiG-21MF egípcios decolando em formação. Muitos desses caças eram pilotados por soviéticos durante a Guerra de Atrito.

O Egito havia lançado a Guerra de Atrito na esperança de desgastar o domínio de Israel sobre os territórios capturados durante a Guerra dos Seis Dias de 1967. No início de 1970, no entanto, a Força Aérea Israelense havia estabelecido superioridade aérea completa sobre as linhas de frente ao longo do Canal de Suez, e o lançamento da “Operação Priha” (uma série de ataques a instalações militares egípcias) em janeiro revelou a incapacidade do Egito de conter a supremacia israelense não apenas ao longo do canal, mas também no coração do Egito. O presidente Nasser do Egito, portanto, pediu ajuda à União Soviética. Nasser visitou Moscou de 24 a 25 de janeiro de 1970 e persuadiu seus anfitriões a expandir a ajuda soviética.

Uma divisão inteira das então Forças de Defesa Aérea Soviética (PVO), a 18ª Divisão de Foguetes Antiaéreos Especiais, incluindo o 135º Regimento de Aviação de Caça equipado com o MiG-21MF e as versões mais recentes das baterias de mísseis antiaéreos (SAM) SA-2 e SA-3, foram enviados ao Egito. Eles foram inicialmente encarregados de defender o Cairo, Alexandria e a Represa de Aswan (Assuã), liberando os meios de defesa aérea egípcios para enfrentar os israelenses na zona do canal. Inicialmente a presença e participação ativa na Defesa do Egito dos soviéticos não foram tornadas públicas e desmentidas muito tempo depois, mas foram captadas pela inteligência israelense não muito depois de sua chegada.

O governo israelense, temeroso de enfrentar uma superpotência e as possíveis consequências, instruiu a IAF a manter distância das forças soviéticas. “A Operação Priha” foi imediatamente encerrada. No final de abril de 1970, os aviões israelenses não voavam mais para o Egito, na esperança de que isso satisfizesse os soviéticos. Os soviéticos e egípcios, no entanto, começaram agora a deslocar seu conjunto combinado de defesa aérea em direção à zona do canal, ameaçando privar Israel de sua superioridade aérea. A Força Aérea Israelense teve como alvo as baterias SAM egípcias e a infraestrutura auxiliar, mas no final de junho dois F-4 Phantoms foram abatidos por SAMs e mais dois em julho. Além disso, os caças soviéticos também estavam expandindo sua esfera de operações e estava se tornando evidente que os soviéticos, reforçados por seu sucesso, buscavam ativamente um combate. Em 25 de julho, os MiG-21 soviéticos interceptaram aeronaves A-4 Skyhawks israelenses em uma missão de ataque ao solo e os perseguiram até o Sinai, controlado por israelenses. Um Skyhawk foi atingido por um míssil AA-2 Atoll e forçado a pousar em Rephidim.

Os israelenses mudam de ideia e partem para o ataque

O F-4 Phantom era a principal aeronave da Força Aérea Israelense na época da operação.

Tanto o governo israelense quanto a força aérea já haviam percebido que a política de contenção contra os soviéticos havia falhado. Pela primeira vez, a supremacia aérea conquistada por Israel estava seriamente ameaçada, não apenas na margem oeste do Canal de Suez, mas também no território controlado por Israel. A Força Aérea Israelense, portanto, propôs enfrentar os soviéticos de frente, na esperança de demonstrar que, embora não possuíssem nenhuma resposta operacional ao extenso conjunto de defesa aérea que se formava na margem oeste do Canal de Suez, era, no entanto, superior no ar. A oportunidade de punir os soviéticos também serviria para elevar o moral em baixa após a perda de várias aeronaves e aviadores nos meses anteriores, e também seria valiosa nas próximas negociações de cessar-fogo. O chefe do Estado-Maior da IAF, Mordechai (Motti) Hod, apoiado pelo Chefe do Estado-Maior General, Haim Bar-Lev, levou seu caso ao gabinete israelense em 25 de julho. Assim que a aprovação do governo de Golda Meir foi recebida, a IAF então começou a organizando uma emboscada de equipe planejada. Essas emboscadas já haviam sido realizadas antes, sob o nome de código “Rimon” (Romã), e um plano existente foi atualizado e designado “Rimon 20”. Inicialmente planejado para 29 de julho, foi posteriormente adiado para 30 de julho.

O “Rimon 20” deveria começar com um ataque do Esquadrão Nº 69 (“The Hammers”, então equipado com o F-4E Phantom II) em uma estação de radar egípcia a sudeste da cidade de Suez. Eles deveriam ser executados em um perfil de ataque geralmente adotado pelos Skyhawks israelenses, dando a impressão de mais um dia de batalha na frente do Canal de Suez. Quatro Dassault Mirages do Esqudrão Nº 119 (“The Bat Squadron”), entretanto, deveriam penetrar no espaço aéreo egípcio no extremo sul, perto de Hurghada, imitando um voo de reconhecimento de rotina. Uma vez que MiGs soviéticos foram escalados para interceptar os Mirages, estes deveriam atrair os MiGs para o oeste, ao ponto em que os Phantoms e quatro Mirages do Esquadrão Nº 117 (“The First Jet Squadron”), em órbitas sobre o Sinai, deveriam se aproximar dos MiGs do leste, disparando a armadilha. Outros quatro Mirages do Esquadrão Nº 101 (“The First Fighter Squadron”) deveriam estar em alerta imediato em Rephidim.

Não deixando nada ao acaso, Motti Hod decidiu levar o melhor e mais qualificado pessoal possível para a missão. A seleção dos aviadores ficou a cargo dos comandantes do esquadrão e cada um subsequentemente selecionou a si mesmo. Amos Amir, comandando o Esquadrão Nº 119 e um ás de 5 abates na época, selecionou Asher Snir (11 vitórias aéreas), Avraham Salmon (6) e Avi Gilad (2) para acompanhá-lo. Uri Even-Nir, comandando o Esquadrão Nº 117 e já creditado com 3 vitórias, seria acompanhado por Itamar Neuner (4), Yehuda Koren (7) e Kobi Richter (7). Iftach Spector, um ás de 8 vitórias aéreas que comandava o Esquadrão Nº 101, estava acompanhado por Michael Tzuk (2), Israel Baharav (5) e Giora Ram-Furman. Os Phantoms do Esquadrão Nº 69 era liderado por Avihu Bin-Nun, que havia abatido 2 aeronaves como piloto do Mirage, com o navegador Shaul Levi. Também estiveram presentes Aviem Sella (1) com Reuven Reshef, Ehud Hankin (3) com navegador desconhecido e Uri Gil (1) com Israel Parnas. Para enfrentar os soviéticos, que tinham pouca experiência em combate e nenhuma vitória aérea em seu nome, a IAF se preparava para enviar alguns de seus pilotos mais experientes, com uma pontuação combinada de 67 vitórias aéreas.

O combate aéreo

Os A-4 Skyhawk tiveram papel secundário na operação, mas foram essenciais para realizarem o ataque que levaram os soviéticos a caírem na cilada israelense. Aqui vemos um A-4H preservado no Museu da IAF.

A quinta-feira, 30 de julho de 1970, começou como mais um dia na guerra de atrito em curso com a IAF atacando posições egípcias ao longo do Canal de Suez. Os Phantoms dos Esqudrões Nºs 69 e 201 (“The One Squadron”), os Sud-Aviation Vautours II do Esquadrão Nº 110 (“The Knights of The North Squadron”), Dassault Ouragans dos Esquadrões Nºs 113 (“The Hornet Squadron”) e os A-4 Skyhawks dos Esqudrões Nºs 115 (“The Flying Dragon Squadron”), 102 (“The Flying Tiger Squadron”) e 116 (“The Lions of the South Squadron”) participaram dos ataques, não encontrando oposição aérea. Assim que todas as aeronaves retornassem à base, a Operação Rimon 20 poderia começar.

Tudo começou às 14h (horário de Israel, 15h no Egito) com Bin-Nun, Sela, Hankin e Gil atacando o posto de radar egípcio em Sohana. Enquanto isso, os quatro Mirages do Esquadrão Nº 119 de Amos Amir estavam cruzando o Golfo de Suez em baixa altitude, entrando no espaço aéreo egípcio antes de virar para o norte e subir a 35.000 pés (pouco mais de 10.600 metros). Voando em formação compacta para aparecer como um alvo único ou duplo em um voo de reconhecimento de rotina, os quatro Mirages estavam cada um armado com um par de Sidewinders AIM-9D. Demorou 11 minutos, mas os soviéticos finalmente caíram na armadilha e enviaram seus caças para interceptar a aeronave israelense.

Os primeiros a decolar foi um quarteto de MiG-21 de Kawm Ushim liderado pelo capitão Kamenev, seguido logo depois por duas formações de quatro aeronaves de Beni-Suef lideradas pelos capitães Yurchenko e Saranin. Um MiG da última formação abortou a missão logo após encontrar problemas no motor. Mais doze MiGs foram lançados mais tarde de Kawm Ushim e al-Qatamiyah (também conhecido como Wadi Al Jandali, perto de Kafr Mas’ud). Dois quartetos soviéticos foram vetorados para interceptar o voo intruso de “reconhecimento”, enquanto outros dois foram direcionados ao que se pensava serem Skyhawks em uma missão de ataque ao solo.

Como os primeiros MiGs estavam a 20 km de distância e se aproximando do oeste, Amos Amir liderou suas quatro aeronaves em uma curva de 270° que os trouxe para oeste. Eles tinham, no entanto, girado com muita força. Em vez de puxar os MiGs para o oeste, eles agora os encaravam de frente. Enquanto os Mirages se aproximavam dos MiGs, os quatro Phantoms se aproximavam da área em baixa altitude e alinhados lado a lado. O plano original previa que os Phantoms voassem de baixo, atrás e embaixo dos MiG-21s perseguindo os Mirages, e os pegassem com seus AIM-7 Sparrows guiados por radar. Isso agora não era mais possível e, quando os Phantoms entraram na briga, um violento Dogfight começou.

Os israelenses não eram apenas habilidosos, mas também sortudos: um piloto russo conseguiu enquadrar a cauda de um Phantom e acertá-lo com um míssil infravermelho Atol AA-2, mas ele não explodiu e a aeronave voltou a base com danos mínimos.

Os Mirages se envolvem na batalha

Um Mirage IIICJ israelense com marcas de 13 vitórias aéreas contra aeronaves egípcias e sírias. Está preservado no museu da IAF.

Enquanto os Phantoms mantinham pares de proteção mútua, os pilotos de Mirage menos disciplinados se separaram para enfrentar individualmente seus oponentes. Avraham Salmon e Avi Gilad se separaram quando a batalha começou e Salmon foi logo o primeiro a abater. Avistando dois MiGs na cauda de um par de Phantoms, ele avisou seus camaradas sobre o perigo que se aproximava antes de nivelar atrás do MiG traseiro e lançar um AIM-9D. O MiG explodiu, matando o piloto Nikolai Yurchenko.

Asher Snir também se separou de seu ala para perseguir os MiGs. Encontrando-se no meio de uma série de MiGs e Phantoms, ele optou por perseguir um dos caças soviéticos. Quando o MiG estava se afastando do Mirage, Snir disparou um AIM-9D que atingiu a parte inferior do MiG-21. O capitão Yevgeny Yakovlev conseguiu escapar da aeronave atingida, mas acabou morrendo. Aviem Sella testemunhou a queda:

“Um dos Mirages (pilotado por Asher Snir) disparou um míssil ar-ar segundos após o início da batalha. O míssil atingiu um MiG e o incendiou. O piloto ejetou; a aeronave girou e caiu como uma pedra a 30.000 pés (9.150 metros). O paraquedas do piloto russo se abriu imediatamente – não era para ser assim: os paraquedas são projetados para abrir automaticamente a 10.000 pés (pouco mais de 3 mil metros), para que seus usuários não congelem ou sufoquem nas alturas altitudes.”

Snir, no entanto, no calor da perseguição e sem a proteção de um ala, não conseguiu localizar um MiG-21 se aproximando de sua cauda. O capitão Vladimir Ivlev disparou um Atol AA-2 no Mirage, que explodiu no escapamento do motor Atar, destruindo o bico e a cauda da aeronave de Snir. Snir abandonou a batalha e conseguiu conduzir sua aeronave danificada para um pouso seguro em Refidim. Ivlev, com pouco combustível, disparou uma salva malsucedida de canhão de 23 mm em um dos Phantoms antes de voltar para al-Qatamiyah.

Com a batalha em andamento, reforços israelenses foram ordenados para entrar em combate. Os quatro Mirages do Esquadrão Nº 117 que espreitavam a baixa altitude sobre o Sinai, fora do alcance do radar egípcio e soviético, estavam subindo e seguindo para oeste quando o jato de Itamar Neuner sofreu uma pane no motor e teve que abortar a missão. Desconfiado de deixar Neuner sozinho em território hostil, Even-Nir escoltou seu ala de volta a Rephidim. Um par de Mirages do Esquadrão Nº 101, pilotados por Iftach Spector e Michael Tzuk, foram escalados para substituí-los. Spector, no entanto, logo perdeu Tzuk de vista e ordenou que ele retornasse à base, prosseguindo para a batalha sozinho. Os elementos restantes do 117, Koren e Richter, também estavam prestes a enfrentar os caças soviéticos.

Abates do Phantom

As tripulações dos Phantoms, entretanto, estavam descobrindo que voar em pares era de fato mais seguro, mas não tão propício para abates aéreos, uma vez que limitava a liberdade de ação do piloto individual. Seus adversários soviéticos não pareciam habilidosos o suficiente para representar uma ameaça séria e Bin-Nun e Sella decidiram se separar e ir atrás de suas próprias presas. Sella mirou em um dos MiGs, mas não conseguiu se posicionar para disparar seus mísseis. Quando o MiG fez uma curva fechada e ficou cara a cara com o Phantom, o próprio Sella fez uma curva fechada de Immelman que o colocou acima e atrás do MiG:

“A essa altura, eu percebi que o piloto russo era inexperiente; ele não sabia como lidar com sua aeronave em uma situação de combate. A 15.000 pés (cerca de 4.500 metros) ele provou esse fato tentando escapar em um mergulho íngreme a 700 pés (215 metros). Tudo o que tínhamos que fazer era segui-lo e travar nosso radar nele – e disparar um míssil. Houve uma explosão tremenda – mas o MiG saiu da nuvem de fumaça aparentemente ileso. Isso me deixou furioso e disparei um segundo míssil – que se revelou desnecessário. A aeronave russa havia, de fato, sido severamente danificada pelo primeiro míssil; de repente, explodiu em chamas e se desfez. Quando o segundo míssil o alcançou, ele não estava mais lá.”

O AIM-9 de Sella derrubou o capitão Georgy Syrkin, que conseguiu se ejetar de sua aeronave sem ferimentos graves.

Dois minutos se passaram e os Mirages e MiG-21s estavam com pouco combustível e começando a deixar a zona de combate. Avihu Bin-Nun avistou um desses MiG voando a 1.000-2.000 pés (300-600 metros) com Koren e Richter do Esquadrão Nº 117 em sua cauda. Richter havia lançado um míssil Rafael Shafrir 2 no MiG, mas a distância era muito grande e o míssil caiu inofensivamente no solo. Koren também tentou lançar um míssil, apenas para descobrir que ele havia lançado seus mísseis junto com seus tanques de combustível quando ele entrou na batalha. Koren estava se aproximando do alcance do canhão quando um AIM-7 Sparrow passou por ele. Ele atingiu seu alvo, desintegrando-o em pedaços e matando o piloto Kamenev. O míssil foi lançado por Avihu Bin-Nun e Shaul Levi:

“De repente, nós nos encontramos, eu e meu número 2, junto com um solitário jato do Esquadrão 117, perseguindo um MiG voando em baixo nível e quase na velocidade do som. Como vimos, a maior ameaça era que o piloto do 117 reclamasse nosso MiG. Lançamos um [AIM-7] Sparrow, embora não se deva naquela altitude e nessas condições. Só para que 117 não o pegasse.”

Abate compartilhado
Outro MiG-21 tentando escapar da zona de batalha estava sendo perseguido por Avraham Salmon. Tendo avistado Salmon em sua cauda, ​​Vladimir Zhuravlev estava manobrando arduamente para negar a Salmon a oportunidade de abatê-lo. Salmon já havia disparado um míssil que não causou nenhum dano, quando o Mirage de Spector se juntou à luta e disparou outro par no MiG. Embora pelo menos um tenha atingido o alvo, esses também não conseguiram derrubar a aeronave e ela continuou a voar para o noroeste. Salmon continuou a perseguir as proximidades de Helwan, onde conseguiu diminuir a distância do MiG e esvaziou seu canhão na aeronave. Com a munição e o combustível esgotados, ele saiu de cena. Anos depois foi revelado que a aeronave de Zhuravlev havia de fato caído e seu piloto morto. Spector e Salmon foram creditados com uma morte compartilhada, a quinta e última da batalha.

O engajamento durou pouco menos de três minutos. Como os soviéticos ainda podiam enviar mais aeronaves para o local, Motti Hod deu a ordem para que todas as aeronaves restantes desengajassem e retornassem para suas bases. Enquanto os Mirages seguiam para Refidim para reabastecer antes de retornarem às suas bases em Israel, os Phantoms do Esquadrão Nº 69 seguiram diretamente para Ramat David.

Consequências

Os primeiros detalhes do encontro apareceram na imprensa internacional poucas horas depois do evento. Israel alegou o abate de quatro aeronaves egípcias, não revelando a verdadeira identidade dos participantes, enquanto o Egito negou ter perdido qualquer aeronave. Mais detalhes, no entanto, logo ficaram disponíveis. A verdadeira identidade dos pilotos do MiG foi relatada em poucos dias e confirmada pelo primeiro-ministro Meir no final de outubro de 1970, ao discutir a presença soviética no Egito:

“Como posso saber se há pilotos russos no Egito? Simplesmente porque abatemos quatro aviões soviéticos pilotados por pilotos soviéticos.”

Em 1972, a imprensa egípcia divulgou que cinco aeronaves soviéticas haviam de fato sido perdidas em 30 de julho de 1970. Isso foi posteriormente confirmado pelo presidente Anwar Sadat do Egito durante sua visita a Israel antes da assinatura dos Acordos de Camp David.

A União Soviética enviou outro regimento de MiG-21s e um esquadrão de modernos interceptadores Sukhoi Su-15 “Flagon” foi enviado ao Egito para reforçar as defesas. Os próprios egípcios reagiram com mal disfarçado deleite com o resultado do combate. Eles já haviam sofrido críticas intensas de seu próprio desempenho e a propalação das habilidades soviéticas superiores, quando na verdade os soviéticos haviam caído em táticas com as quais os egípcios já estavam familiarizados.

Embora uma conquista que elevou o moral, Rimon 20 não mudou o curso da guerra. Outro F-4E Phantom II da IAF foi perdido para um SA-3 em 3 de agosto e outro foi danificado. O novo nível de escalada, no entanto, se mostrou muito ameaçador para todos os envolvidos. Nem Israel nem o Egito conseguiram garantir uma vantagem clara, mas ambos podiam reivindicar conquistas militares. A pressão americana para encerrar um conflito com potencial de atrair os Estados Unidos e a URSS logo rendeu frutos. No dia 7 de agosto de 1970, um acordo de cessar-fogo entrou em vigor, encerrando a Guerra de Atrito.

ORDEM DE BATALHA

Pilotos israelenses que participaram da operação, em sentido horário: Asher Snir, Iftach Spector, Uri Even-Nir e Aviem Sella.

Israelenses

Soviéticos

OBSERVAÇÃO: Mais dois elementos, um de Kom Ashwin e outro de Kom Ashwin ou al-Qutamiya, também foram lançados mas não chegaram ao local da batalha a tempo

IMAGEM DE CAPA: Imagem da câmera de um F-4E israelense no momento em que abate um MiG-21MF usando um míssil.

FONTES: Wikipédia. AP, Getty Images.